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Internacionais

Por mais turismo e comércio, Brasil quer voo mais curto para o Senegal

Ultima atualização: 23 de abril de 2026 04:00
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Por mais turismo e comércio, Brasil quer voo mais curto para o Senegal
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O governo brasileiro trabalha para diminuir o tempo de voo entre o país e a capital do Senegal, Dacar, na Costa Oeste da África. A medida beneficiaria o comércio e o turismo entre as duas nações e também vizinhos.

Atualmente, não há voos diretos para brasileiros e senegaleses e, algumas vezes, é preciso ir para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, antes de desembarcar em Dacar, aumentando consideravelmente o tempo de deslocamento.

Outra opção são hubs (pontos de distribuição de voos) em aeroportos europeus ou em cidades africanas mais afastadas da América do Sul.

Em uma linha reta, 2,9 mil quilômetros (km) separam Natal, no Rio Grande do Norte, do Senegal. Já a distância da capital potiguar para Lisboa é quase o dobro. Para Dubai, quase quatro vezes mais longe.

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A informação de que o Brasil quer diminuir a duração do voo para o Senegal foi dada à Agência Brasil pela embaixadora do país sul-americano no Senegal, Daniella Xavier.

“Temos que continuar a trabalhar nesse sentido, pois não é lógico que tenhamos que ir à Europa para vencer menos de 3 mil km! Imaginem a redução dos tempos de voo e nos custos também em benefício dos demais países da África Ocidental, da América Latina e do Caribe”, disse.

A embaixadora participou do Fórum Internacional de Dacar sobre a Paz e Segurança na África, sediado na cidade de quase 4 milhões de habitantes na segunda (20) e na terça-feira (21).

Interromper círculo vicioso

Brasília (DF), 22/04/2026 - Embaixadora do Brasil no Senegal, Daniella Xavier Cesar.   Foto: Itamaraty/Divulgação

Para a diplomata, é preciso romper um círculo vicioso: “o comércio e o turismo não têm escala por falta de conexões; e as conexões não se fazem por falta de escala”.

Daniella Xavier informou que se reuniu recentemente com o ministro das Infraestruturas e dos Transportes de Senegal, Yankhoba Diémé, e com a direção da companhia aérea estatal senegalesa Air Senegal.

A embaixadora disse ser preciso fomentar entendimentos entre empresas brasileiras – no país, todas privadas – e a Air Senegal ou até mesmo de países africanos, como Marrocos, Etiópia e Turquia, para que desenvolvam cooperação de codeshare, quando uma empresa vende passagens para os voos da outra e vice-versa.

Laços históricos

Ao ressaltar o que classifica como “excelente relação” entre os dois países, Daniella Xavier lembrou que o Senegal, que se tornou independente da França no início da década de 1960, têm laços históricos e profundos com o Brasil, sendo a raiz disso o tráfico de escravizados.

Fica no Senegal a Ilha de Gorée, ponto importante de tráfico de negros para as Américas. 

A embaixada brasileira foi aberta em Dacar em 1961. Dois anos depois, houve a reciprocidade. A representação diplomática do Senegal em Brasília é a única do país africano na América do Sul.

Em 2025, o comércio entre Brasil e Senegal, país de quase 19 milhões de habitantes, alcançou US$ 386,1 milhões, com saldo de US$ 370,8 milhões para o Brasil, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A interpretação desses números é que vendemos muito mais do que importamos.

“O Senegal ainda exporta pouco para o Brasil. Poderia, por exemplo, investir na exportação de amendoim e derivados das flores do nenúfar [lírios-d’água], como produtos gourmet, assim como tecidos, produtos artesanais, entre outros”, avalia a embaixadora.

Ela disse à Agência Brasil que o comércio entre os países tem tendência de aumento e que trabalha para expandir investimentos. No ano passado, uma missão levou 50 empresários brasileiros ao Senegal.

Indústria genética agrícola

Um investimento, cita ela, foi o anúncio, em outubro do ano passado, da criação da primeira indústria de genética agrícola no Senegal, com objetivo e produzir 30 milhões de ovos e 400 mil aves reprodutoras. O investimento inicial será de US$ 20 milhões.

A iniciativa é da empresa brasileira West Aves em parcerias com os africanos. A estimativa é a criação de 300 empregos diretos e 1 mil indiretos, além de transferência de tecnologia para o Senegal.

“Caso bem sucedido, o projeto poderá permitir a autossuficiência total do país na produção de aves e a redução de 20% de seus custos para o consumidor final”, sustenta.

Há ainda entendimentos que tratam de o Brasil levar para o Senegal tecnologias na área da agropecuária, programa de merenda escolar e defesa.

Multilateralismo

Para a representante brasileira, a relação entre os países ganhou dinamismo. “Diante de um cenário internacional conturbado, é preciso ampliar a coordenação política entre países que coincidem em grande parte em suas posições multilaterais e encontrar alternativas comercias”, conclui.

Quando se fala de interesses multilaterais, um dos exemplos concretos é a defesa de reformas em organismos internacionais. Uma delas no Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU), pleito antigo do Brasil e de africanos.

Atualmente, apenas cinco países têm presença permanente no conselho e poder de veto (Rússia, Estados Unidos, China, Reiuno Unido e França), nenhum deles da América do Sul ou da África. Entre as funções do CS estão a imposição de sanções internacionais e permitir intervenção militar.

>>Ao lado do Brasil, Senegal persegue protagonismo no Sul Global

Visão de Senegal

Também presente no Fórum Internacional de Dacar sobre a Paz e Segurança na África, a embaixadora do Senegal no Brasil, Marie Gnama Bassene, enfatizou que o seu país assume um papel importante na construção da confiança, no fortalecimento da cooperação e na prevenção de conflitos por meio do diálogo, “com o objetivo de promover e defender a paz em sua região e em nível continental”.

Brasília (DF), 22/04/2026 - Embaixadora do Senegal no Brasil, Marie Gnama Bassene (e).   Foto: Embaixada do Senegal/Divulgação

Ao contextualizar que o Senegal tem “longa tradição de contribuições eficazes” para as operações de paz da ONU e da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao), que reúne 12 países, Marie Gnama Bassene associou o país africano a uma tradição do Brasil.

“Ao observar a situação do Brasil e suas relações com seus vizinhos na América do Sul, não posso deixar de perceber muitas semelhanças com o Senegal”, disse à Agência Brasil.

“Nossos dois países compartilham o mesmo compromisso com o multilateralismo, a diplomacia, a paz e a segurança, bem como a prevenção e a resolução pacífica de conflitos por meio do diálogo e da consulta”, completou.

De 2026 a 2030 o Senegal irá presidir a Comissão da Cedeao, braço executivo da comunidade. O país é também um dos integrantes da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), aliança com mais de 20 países, a maioria africanos, voltada para a manutenção da parte Sul do Oceano Atlântico livre de guerras e de disputas geopolíticas.

Há menos de duas semanas, o Brasil assumiu a liderança do grupo, em um evento no Rio de Janeiro. 

A senegalesa chama a parceria entre a terra natal e o Brasil como “forte, estável e duradoura, marcada por quase 65 anos de relações diplomáticas, com visões convergentes sobre a maioria das questões internacionais”.

Brasil e a paz na África

Apesar de o fórum ter a África no nome, o encontro foi aberto para países de fora do continente. Estiveram presentes chefes de Estado, ministros e diplomatas de 38 países, sendo 18 dos 54 africanos.

>> Entenda como a África quer superar o terrorismo 

Brasília (DF), 22/04/2026 - Ministro da integração Africana Cheikh Niang.  Foto: Governo Senegal/Divulgação

Ao conceder entrevista no fim do evento, o ministro da Integração Africana, dos Negócios Estrangeiros e dos Senegaleses no Exterior, Cheikh Niang, foi indagada pela Agência Brasil se o país sul-americano, com profunda herança africana, pode contribuir de alguma forma para a segurança e a paz no continente.

“Acho que o simples fato de participar de uma discussão, apresentar ideias e fazer propostas já é útil”, respondeu.

“Portanto, desse ponto de vista, a participação não só é desejada, como também é, para nós, de grande utilidade para a qualidade do trabalho que realizamos”, completou o ministro.

*Repórter viajou a convite do Ministério da Integração Africana, Negócios Estrangeiros e Senegaleses no Estrangeiro.

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