Arroz catarinense tem no Sul de SC seu principal polo de produção, impulsionado por tecnologia e inovação no campoFoto: Divulgação/Epagri/ND Mais
Muito antes de chegar ao prato dos brasileiros, o arroz passa por um processo que mistura tradição, pesquisa e tecnologia. E grande parte dessa história começa no Sul de Santa Catarina.
A região concentra cerca de 80% de toda a produção catarinense de arroz, consolidando-se como o principal polo rizícola do Estado. Municípios como Turvo, Araranguá, Jacinto Machado, Meleiro, Forquilhinha, Nova Veneza, Maracajá, Tubarão, Jaguaruna e Imbituba fazem parte dessa cadeia que impulsiona a economia regional e coloca Santa Catarina entre os maiores produtores do país.
Ao ND Mais, o presidente do SindArroz-SC (Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina), Walmir Rampinelli, destaca que o Estado registrou uma safra recorde (2024/2025) de 1,3 milhão de toneladas de arroz, enquanto a produção nacional alcançou cerca de 12 milhões de toneladas.
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“Dos 1,3 milhão de toneladas produzidas em Santa Catarina, cerca de 80% vêm do Sul do Estado”, afirma.
Drones, sementes de alta performance e novos manejos fortalecem a cadeia produtivaFoto: Divulgação Irga/Cleiton Ramão//ND Mais
Tecnologia muda o jeito de produzir arroz catarinense
Se antes a força da rizicultura dependia quase exclusivamente do trabalho no campo, hoje ela também sobrevoa as lavouras.
Os drones se tornaram uma das principais ferramentas da agricultura moderna na região. Eles fazem o mapeamento das áreas, identificam onde há necessidade de fertilizantes ou defensivos e realizam aplicações com precisão, reduzindo desperdícios, custos e danos às plantas que antes eram causados pela passagem de tratores.
Segundo Rampinelli, essa transformação representa um novo momento para a produção de arroz catarinense. “Os drones vieram para diminuir custos, diminuir perdas e otimizar. Os equipamentos mais modernos fazem a leitura da lavoura e aplicam o produto apenas onde há necessidade”, explicou.
A tecnologia também chega por meio das sementes desenvolvidas pela Epagri e de novas técnicas de manejo do solo, que elevaram significativamente a produtividade das lavouras.
Enquanto anos atrás a média era de 160 a 170 sacas por hectare, atualmente muitos produtores alcançam 200 a 220 sacas por hectare, aumentando a rentabilidade da atividade.
Uma das prioridades do setor é reduzir os custos de produçãoFoto: Divulgação/Monique Amboni/ND Mais
Alta produtividade, mas contas apertadas
Apesar do avanço tecnológico e do aumento da produção, a realidade financeira dos agricultores ainda preocupa. De acordo com o presidente do SindArroz-SC, produzir um saco de arroz custa atualmente cerca de R$ 75, enquanto o mercado vinha pagando aproximadamente R$ 60.
Nas últimas semanas, o valor subiu para cerca de R$ 65, mas ainda permanece abaixo do custo de produção. “É muito difícil para o agricultor levantar cedo, investir R$ 75 para produzir um saco e vender por R$ 65”, contou Rampinelli.
Segundo o presidente, uma das prioridades do setor é reduzir os custos de produção, principalmente por meio da diminuição da carga tributária e do fortalecimento de políticas públicas voltadas ao campo.
Setor acompanha a possível redução da área plantada no Rio Grande do Sul, fator que pode contribuir para uma valorização do arroz no mercadoFoto: Divulgação/SindArroz/ND Mais
Incentivos e expectativa para a próxima safra
Entre os programas apontados como fundamentais está o Terra Boa, do Governo de Santa Catarina, que destina recursos para a aquisição de sementes de alta qualidade. Pelo programa, o produtor recebe as sementes e faz o pagamento posteriormente com parte da produção, garantindo acesso a materiais mais produtivos.
Além disso, Rampinelli destaca que a isenção do ICMS sobre produtos da cesta básica beneficia toda a cadeia produtiva, desde agricultores e indústrias até os consumidores.
Para os próximos meses, o setor acompanha a possível redução da área plantada no Rio Grande do Sul, fator que pode contribuir para uma valorização do arroz no mercado. “A expectativa é de que Santa Catarina tenha mais uma boa safra e que o preço finalmente cubra, pelo menos, o custo de produção”, ressaltou Rampinelli.
Entre os programas apontados como fundamentais está o Terra Boa, do Governo de Santa CatarinaFoto: Divulgação/SindArroz/ND Mais

Lutheska Fogaça Estagiária
Lutheska Fogaça é jornalista em formação, estudante do Centro Universitário UniSatc, e escreve para o portal ND Mais na redação de Criciúma. Cobrindo o que há de mais relevante para os moradores da região Sul de Santa Catarina, traz notícias sobre segurança pública, turismo, economia, saúde e cultura. Além disso, também se envolve na produção de reportagens aprofundadas que conectam informações e impacto social. Com passagens por redações locais, rádio e agência de comunicação, atua no jornalismo desde 2025 e foi finalista do Prêmio Acic de Jornalismo com uma reportagem sobre a história de mulheres na rizicultura de Meleiro, cidade no Sul catarinense. Atuou como repórter na cobertura das Eleições Municipais de 2024, realizando entradas ao vivo dos locais de votação para portais e rádios da região Sul de Santa Catarina. Leia mais ▾
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