Moradores do condomínio pedem socorro; situação em São José, bairro BarreirosFoto: Divulgação/ND
A cada aproximação de chuva forte, o sentimento de quem vive no Conjunto Habitacional Gerôncio Thives, localizado no bairro Barreiros, em São José, é de puro pânico.
Reféns das cheias do Rio Araújo, os moradores da comunidade clamam por solução ao lançarem um pedido público de socorro diante do que classificam como inércia do poder público.
Desde as históricas enchentes que devastaram a região no início de 2025, a rotina das famílias — especialmente as que residem nos pavimentos térreos — mudou drasticamente.
Apartamentos invadidos pela água lamacenta, perda constante de móveis, eletrodomésticos e veículos arrastados tornaram-se ocorrências frequentes.
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Alagamentos não saem dos registros e das memórias dos moradores do condomínio – Divulgação/ND
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Chuvarada de 2025 alagou as dependências do condomínio e atingiu moradores do térreo – Divulgação/ND
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Situação da água após as chuvas de 2025; moradores vivem com medo e cobram providências – Divulgação/ND
“Estamos ilhados e esquecidos”, desabafa a comunidade em apelo direto às autoridades.
Impasse burocrático e jogo de empurra em São José
O drama dos moradores esbarra em uma disputa de justificativas técnicas. A Secretaria Municipal de Infraestrutura de São José alega que os alagamentos decorrem de uma combinação de fatores climáticos e maré alta.
A prefeitura também aponta o dedo para o governo federal, afirmando que uma galeria subdimensionada, instalada na travessia da Via Expressa (BR-282) na época da construção da rodovia, retém o fluxo da água e causa o transbordamento.
Secretário de Infraestrutura de São José, Nardi ArrudaVídeo: Prefeitura de São José/Divulgação/ND
Como medida paliativa, o município chegou a realizar o alargamento da calha do rio e construiu um dique provisório de terra na margem direita para tentar conter o avanço das águas. No entanto, a comunidade cobra uma solução real e definitiva.
Projeto existe, mas segue no papel
O que mais revolta os moradores é o fato de que a engenharia do próprio município já desenhou a solução imediata.
Um relatório técnico interno elaborado logo após o desastre de 2025 propôs um plano emergencial orçado em pouco mais de R$ 54 mil.
O projeto prevê o uso de escavadeiras hidráulicas para mover a margem do Rio Araújo em 3 metros na direção do terreno da Ceasa, criando um talude de proteção para o muro do condomínio.
Nível da água no condomínio localizado no bairro BarreirosFoto: Divulgação/ND
Apesar de o plano técnico estar pronto e assinado, a prefeitura se limita a informar que realiza “estudos preliminares” para mitigar o problema.
Enquanto os órgãos públicos debatem competências e as soluções burocráticas não saem do papel, quem mora no Residencial Gerôncio Thives perde o sono a cada mudança no céu, temendo que a próxima tempestade leve embora o pouco que restou.

