Os campanários de Treze Tílias se destacam nos telhados das casas e preservam a tradição da cultura austríaca em SC.Foto: Mauro Moser/ND Mais
Eles chamam atenção de quem passa pelas ruas de Treze Tílias, no Meio-Oeste de Santa Catarina, mas poucos conhecem a história por trás dos campanários que enfeitam casas, prédios e jardins da cidade. Com sino, galo e indicação dos pontos cardeais, as estruturas se tornaram um dos principais símbolos da arquitetura da “Áustria Brasileira”.
Muito mais do que peças decorativas, os campanários de Treze Tílias carregam uma tradição trazida pelos imigrantes austríacos e preservada por famílias que mantêm viva a cultura tirolesa no município.
Campanários de Treze Tílias já foram uma forma de comunicação
Antes da tecnologia fazer parte da rotina das comunidades do interior, o som dos sinos tinha uma função importante: ajudar as famílias a organizar o dia, marcar horários e transmitir avisos.
Os toques podiam anunciar celebrações, encontros da comunidade e até situações de emergência. O que antes era uma ferramenta de comunicação atravessou gerações e hoje continua vivo pelas mãos de artesãos que mantêm a tradição.
Os detalhes dos campanários de Treze Tílias revelam a influência do Tirol austríaco na arquitetura da “Áustria Brasileira”. Foto: Mauro Moser/ND Mais
Em Treze Tílias, os visitantes logo percebem os detalhes da arquitetura típica austríaca. Os olhares se voltam aos telhados e encontram os campanários, que unem história, técnica e identidade cultural.
Artesão mantém tradição dos campanários de Treze Tílias
O artesão Mauro Moser aprendeu a produção dos campanários com o pai, em uma família de descendentes de austríacos que mantém a tradição há mais de 30 anos.
A inspiração surgiu depois que o pai de Mauro passou um período na Áustria e conheceu os enfeites instalados sobre as casas.
Os campanários de Treze Tílias nasceram como forma de comunicação nas comunidades rurais e hoje são símbolos turísticos. Foto: Mauro Moser/ND Mais
“Meu pai passou um tempo na Áustria e gostou muito desses enfeites em cima das casas, principalmente por valorizar a história e a tradição. Então, ao retornar ao Brasil, começou a produzir os campanários, que são muito bonitos e combinam com nossa cidade”, relembra.
Mauro viveu por 20 anos na Áustria, onde trabalhou como mestre de cozinha. Quando o pai chegou próximo dos 70 anos, decidiu voltar ao Brasil para ajudar na produção das peças.
“Foi um pouco difícil porque era bem diferente do que eu atuava. Fui com passos lentos, mas consegui aprender e hoje continuamos esse legado”, comenta.
Produção artesanal mantém viva a cultura austríaca em Treze Tílias
Cada campanário é produzido de forma manual e exige dedicação. Segundo Mauro, uma peça pequena leva pelo menos 12 dias para ficar pronta.
A estrutura é feita com madeira nobre e chapas de alumínio, em um processo que envolve cuidado nos detalhes e muita experiência.
Cada campanário de Treze Tílias guarda uma história ligada aos costumes dos imigrantes austríacos. Foto: Mauro Moser/ND Mais
Com o passar dos anos, o artesão aprimorou a técnica e transformou o trabalho diário em uma forma de preservar a história da cidade.
A tradição também conquistou moradores de outras regiões. Campanários produzidos em Treze Tílias já chegaram a cidades como Pomerode, no Vale do Itajaí, além de destinos mais distantes como Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso e até o Paraguai.
“Fico muito feliz porque estamos continuando uma história, além de trazer orgulho para a família e para a cultura”, afirma.
A história dos sinos que inspirou os campanários
Segundo Mauro, a origem dos campanários está ligada à necessidade de comunicação nas comunidades rurais.
No passado, muitos agricultores não tinham relógios e nem sempre moravam próximos de igrejas, onde os sinos marcavam os horários.
Com sino, galo e detalhes artesanais, os campanários de Treze Tílias mantêm viva uma história de gerações. Foto: Mauro Moser/ND Mais
“Antigamente o colono não tinha a possibilidade de comprar um relógio de bolso, pois tinha um custo elevado. E, muitas vezes, não morava perto de uma igreja que badalava os sinos na hora do almoço. Então o agricultor não tinha como se basear nos horários”, explica.
A solução foi instalar pequenos campanários sobre os telhados das casas. Dentro da residência, a mãe podia tocar o sino para avisar a família sobre o momento das refeições ou outras atividades.
“Era a felicidade da turma ao ouvir as 12 batidas”, relembra.
Treze Tílias fica no Meio-Oeste de Santa Catarina e é conhecida como a Áustria Brasileira.Foto: Portal do Turismo de Santa Catarina/ND
A tradição dos campanários – conhecidos como “Dachglocken” (sinos de telhado) -, é característica das regiões Wildschönau e todo Inntal, no tirol austríaco, e remonta ao século XVI.
Os toques seguiam códigos e diferentes sons ajudavam a identificar mensagens, como horários do dia ou situações de emergência, como acidentes, incêndios e outros acontecimentos importantes.
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Produzidos de forma artesanal, os campanários unem tradição, cultura e identidade austríaca. – Mauro Moser/ND Mais
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Instalados em casas e jardins, os campanários carregam uma tradição trazida pelos imigrantes austríacos. – Mauro Moser/ND Mais
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Os detalhes revelam a influência do tirol austríaco na arquitetura da “Áustria Brasileira”. – Mauro Moser/ND Mais
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A arquitetura de Treze Tílias ganha destaque com os campanários que encantam moradores e visitantes da cidade. – Mauro Moser/ND Mais
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Os campanários são um dos principais símbolos da cultura austríaca preservada no Meio-Oeste de SC. – Mauro Moser/ND Mais
O galo, além de marcar o nascer do dia, também tinha a função de indicar a direção do vento.
Hoje, os campanários representam muito mais do que uma antiga forma de comunicação. Eles simbolizam a cultura austríaca em Treze Tílias e mostram como uma tradição pode continuar viva mesmo depois de muitas gerações.
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