Jorge Jesus esteve próximo de voltar ao Brasil após marcar época no FlamengoFoto: Alexandre Vidal/Flamengo/Divulgação/ND Mais
Jorge Jesus, após o trabalho extraordinário à frente do Flamengo, esteve na mira da CBF. Inicialmente, em 2024, o português foi procurado pela entidade, que tinha o plano de pagar a multa rescisória e transformar o ex-comandante da equipe carioca no técnico mais bem pago do mundo.
“Em novembro de 2024 recebi um telefonema de um vice-presidente da CBF. Queria saber da minha disponibilidade para treinar a Seleção do Brasil. Disse que estava interessado em ouvir a proposta e agendamos um encontro para dezembro. O dirigente veio a Portugal juntamente com um advogado e encontraram-se comigo”, escreveu Jorge Jesus, em coluna no jornal Record.
“Colocaram-me em videochamada com o presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, e ofereceram-me um salário que me transformaria automaticamente no selecionador mais bem pago do mundo. Também garantiam o pagamento dos 11 milhões de euros necessários para eu poder rescindir com Al Hilal”, acrescentou.
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Apesar do cenário tentador, Jorge Jesus não quis, de imediato, aceitar a proposta da CBF. Sendo assim, as tratativas foram adiadas para o ano seguinte, tendo em vista a prioridade ligada ao Al-Hilal.
“Noutras circunstâncias seria uma proposta irrecusável, mas naquele momento o Al Hilal liderava a Liga, estava a lutar por todas as competições e eu tinha o grande objetivo de ganhar a Champions e ir ao Mundial de Clubes. Pedi para voltarmos a falar em março e eles aceitaram”, prosseguiu.
Jorge Jesus foi campeão da Libertadores com o FlamengoFoto: Alexandre Vidal/Flamengo/Divulgação/ND Mais
CBF tentou antecipar chegada de Jorge Jesus
Pressionado, Ednaldo Rodrigues demitiu Dorival Júnior e entrou em contato com Jorge Jesus. Porém, a possibilidade de deixar o Al-Hilal foi totalmente rechaçada pelo português, algo que irritou o antigo presidente da CBF.
“Em março, tal como combinado, voltei a Lisboa e tive uma última reunião com os mesmos emissários, mais o presidente Ednaldo Rodrigues, em videochamada. Ficou tudo acertado. Eu abdicava de ir ao Mundial de Clubes e a CBF aceitava que eu fosse para o Brasil apenas em maio, depois dos jogos da Champions. Já estava de novo em Riade quando recebi uma nova chamada do presidente da CBF. Pedia que eu viajasse de imediato para o Rio de Janeiro, porque tinha acabado de despedir Dorival Júnior”, relatou.
“Disse que, tal como acordado, iria após a final da Champions, não antes. ‘Míster, não estou a perceber qual a sua dúvida. Com todo o respeito, o que é o Al Hilal? Eu nem conheço e o senhor está hesitante entre esse clube e a melhor Seleção do Mundo, pentacampeã?’, atirou-me Ednaldo Rodrigues. Depois, concordou que eu ficasse até ao início de maio e viajasse para o Brasil no dia 5 ou 6, para ser apresentado no dia 10”, prosseguiu.
Saída de Ednaldo Rodrigues “melou” acerto
Afastado da presidência da CBF, Ednaldo Rodrigues ficou impedido de concretizar a chegada de Jorge Jesus. Sendo assim, o português perdeu força nos bastidores, motivo pelo qual Carlo Ancelotti foi o nome definido para assumir o Brasil antes da Copa do Mundo.
“Tudo se precipitou rapidamente. O Al Hilal não chegou à final da Champions e Ednaldo Rodrigues começou a ser alvo de uma série de denúncias no Brasil, relacionadas com a sua gestão na CBF. O Ministério Público abriu um processo, o qual culminaria com a destituição do presidente da Confederação em maio. Oito dias após a saída de Ednaldo Rodrigues da CBF, o Real Madrid rescindiu contrato com Carlo Ancelotti e o novo líder da CBF contratou o treinador italiano”, externou.
Por fim, Jorge Jesus não mostrou arrependimento com a decisão. Embora o sonho de dirigir o Brasil tenha ficado pendente, manter a palavra de seguir treinando o Al Hilal, segundo o técnico, era inegociável.
“Podia ter dito ‘sim’ ao Brasil em janeiro de 2025? Podia, mas naquele momento considerei que não devia abandonar os desafios que tinha em mãos com o Al Hilal”, concluiu.

