Em meio à programação, um festival de música reunia compositores e intérpretes de diferentes regiões do Sul do Brasil para celebrar, em versos e melodias, a identidade e as tradições da Serra catarinense.Foto: Divulgação/Acervo Museu Histórico Thiago de Castro/ND
Junho de 1993. A Festa Nacional do Pinhão chegava à 5ª edição em Lages quando um novo festival de música estreou para reunir compositores e intérpretes do Sul do Brasil em celebração à identidade e às tradições da Serra catarinense.
Assim nascia a primeira Sapecada da Canção Nativa. Mais de três décadas depois, o festival se consolidou como uma das principais tradições da música nativista do Sul do Brasil. Tudo começou naquele junho de 1993.
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Em junho de 1993, durante a 5ª Festa Nacional do Pinhão, Lages deu início a um dos maiores festivais de música nativista do Sul do Brasil. – Divulgação/Acervo Museu Histórico Thiago de Castro/ND
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Em meio à programação, um festival de música reunia compositores e intérpretes de diferentes regiões do Sul do Brasil para celebrar, em versos e melodias, a identidade e as tradições da Serra catarinense. – Divulgação/Acervo Museu Histórico Thiago de Castro/ND
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Relembre o início de uma tradição: a primeira Sapecada da Canção Nativa completa mais de 30 anos. – Divulgação/Acervo Museu Histórico Thiago de Castro/ND
O nome que conta uma história
Antes de falar da música, é preciso falar do nome. “Sapecar” é a forma tradicional de assar o pinhão, o processo de colocá-lo sobre uma fogueira feita com grimpas de araucária, as folhas secas do pinheiro nativo da Serra catarinense, até a casca estourar e a semente ficar pronta para comer.
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É um costume que existe há séculos na Serra, e que ainda hoje reúne famílias ao redor do fogo nas noites de inverno. Batizar o festival com esse nome não foi acidente: foi uma declaração de identidade. A Sapecada nasce do fogo, da araucária e da tradição serrana, assim como a música que celebra.
A grande vencedora de 1993
Já em sua estreia, a Sapecada revelou o padrão que a tornaria referência. A grande vencedora da primeira edição foi a toada “Quero-Quero, Gralha Azul”, composta por Talo Pereira e Jayme Caetano Braun e interpretada por Neto Fagundes. A obra conquistou o primeiro lugar e o prêmio de Melhor Letra, um reconhecimento duplo que marcou o início da história do festival.
O segundo lugar ficou com “Perdido num Baile de Fronteira”, de Elton Saldanha e Luiz Carlos Borges, interpretada por Elton Saldanha e Ernesto Fagundes. A terceira colocação foi para “Gralha Azul”, de Marco Araújo e Hércules Grecco, interpretada por Fátima Gimenez, que também levou o prêmio de Melhor Intérprete.
Os prêmios especiais que revelaram a alma do festival
As premiações especiais da primeira edição revelaram, com precisão, o que a Sapecada se propunha a celebrar:
Música Mais Popular: “Princesa da Serra” Melhor Tema sobre o Pinhão: “Gralha Azul” Melhor Tema sobre Ecologia e Meio Ambiente: “Meu Rio”, de Elmo de Freitas Melhor Tema sobre o Tropeirismo: “Tropa Clandestina”
Campo, araucária, tropeirismo, natureza e identidade serrana, os temas que definiram a primeira Sapecada são os mesmos que o festival celebra até hoje.
A música que retrata a vida serrana
A Sapecada nasceu com um propósito de retratar, em versos e melodias, o cotidiano dos povos do Sul do Brasil. As canções apresentam temas das lidas do campo, do tropeirismo, da natureza e dos costumes serranos, músicas que são cantadas e entoadas até hoje, décadas depois de terem sido compostas.
Esse propósito transformou o festival em muito mais do que uma competição musical. A Sapecada é um arquivo vivo da identidade serrana, um lugar onde a memória do povo da Serra catarinense encontra forma de canção.
Mais de 30 anos depois
O sucesso da primeira edição transformou a Sapecada em referência para artistas e admiradores da música nativista de todo o Sul do Brasil. Edição após edição, o festival foi crescendo, em participantes, em repertório, em reconhecimento.
Hoje, mais de três décadas depois daquela primeira noite de junho de 1993, a Sapecada da Canção Nativa segue como um dos maiores símbolos culturais de Lages, da Serra catarinense e da Festa Nacional do Pinhão, mantendo viva a tradição da música nativista e reunindo artistas, compositores e público em torno da identidade serrana.
Tudo começou com uma fogueira, um pinhão e uma canção sobre o quero-quero e a gralha azul. E o fogo nunca se apagou.
A Sapecada da Canção Nativa é realizada anualmente durante a Festa Nacional do Pinhão, em Lages, na Serra catarinense.

Gabriela Bornhausen Colaboradora
Gabriela Bornhausen é jornalista e escreve para o ND Mais, com foco nos principais assuntos da Serra de Santa Catarina, incluindo destaques do frio e do inverno em Lages, São Joaquim, Urubici, Bom Jardim da Serra e Urupema. Curiosa, conectada à região e atenta aos acontecimentos locais, aborda temas de interesse regional, comportamento, cotidiano e pautas ligadas à comunidade. Atua no jornalismo desde 2022 e é formada pela Uniplac (Universidade do Planalto Catarinense), além de tecnóloga em Marketing. Possui experiência em comunicação, produção de conteúdo, assessoria de marketing e copywriting, com conhecimento aprofundado em estratégias de comunicação e linguagem digital. Leia mais ▾
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