Primeiro projeto da Transnordestina começou em 1959, mas obras foram interrompidasFoto: Delfim Martins/Blog do Planalto/ND Mais
Com mais de 1.200 quilômetros de extensão e atravessando 53 municípios, a Ferrovia Transnordestina avança como uma das maiores obras de infraestrutura logística do Brasil e já se aproxima da fase final de construção.
O projeto, considerado estratégico para o escoamento da produção do Nordeste, está com cerca de 80% das obras concluídas e integra a carteira de investimentos do Novo PAC, com recursos bilionários destinados à conclusão da primeira etapa.
Vistoria e importância estratégica da Transnordestina
Para acompanhar o andamento das obras, o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, vistoriou os Lotes 9 e 10 da ferrovia, no Ceará. Os trechos são considerados estratégicos para a conclusão da fase 1 do empreendimento, que liga o estado do Piauí ao litoral cearense.
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Em dezembro, o Governo Federal liberou R$ 2 bilhões, por meio do Novo PAC, para a continuidade das obras nesse trecho da Transnordestina. Com a liberação dos recursos, o Ceará passou a ter 100% dos lotes da ferrovia autorizados para execução.
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Transnordestina conectará Eliseu Martins, no Piauí, ao Porto do Pecém, no Ceará – Marcio Ferreira/MT/ND Mais
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Transnordestina – MT/Reprodução/ND Mais
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Transnordestina será voltada ao escoamento da produção agrícola e promete revolucionar logística na região – MT/Reprodução/ND Mais
“O avanço dessas obras mostra o tamanho do empreendimento e a importância da Transnordestina para o Nordeste. A ferrovia vai permitir transportar cargas de forma mais eficiente, além de contribuir para a descarbonização do setor de transportes”, afirmou Leonardo Ribeiro.
O trecho vistoriado tem 97 quilômetros de extensão e corta os municípios cearenses de Baturité, Aracoiaba, Redenção, Acarape, Guaiúba, Palmácia, Maranguape e Caucaia.
A obra é considerada a principal iniciativa logística da história do Ceará. Segundo o governador do estado, Elmano de Freitas, a ferrovia terá papel decisivo na integração da produção regional aos mercados internacionais.
“Mais do que a geração de empregos, trata-se da principal obra de logística da história do Ceará. A ferrovia vai atravessar o estado e ligar uma grande região produtora de grãos e minérios ao Porto do Pecém, conectando o Ceará aos mercados do mundo”, destacou.
Testes operacionais em andamento
Com investimento total estimado em R$ 14,9 bilhões, a primeira fase do projeto da Transnordestina já recebeu R$ 11,3 bilhões. Até o momento, 727 quilômetros da linha principal foram concluídos, enquanto outros 326 quilômetros seguem em construção.
A Transnordestina também iniciou testes operacionais para preparar o início das atividades. Neste mês, a concessionária Transnordestina Logística S.A. (TLSA) realizou o segundo teste de transporte de cargas pela ferrovia, levando 946,12 toneladas de sorgo do Terminal Intermodal do Piauí (TIPI) até o Terminal Logístico de Iguatu (TLI), no Ceará. O trajeto foi concluído em 16 horas e 34 minutos.
TransnordestinaVídeo: Canal Gov/Reprodução/ND Mais
Os testes começaram em dezembro de 2025 com o transporte de produtos agrícolas e devem incluir, nas próximas etapas, outros tipos de mercadorias.
“Essa é uma obra fundamental, com mais de 1.200 quilômetros de ferrovia e todos os lotes contratados. A infraestrutura será de primeiro mundo e deve gerar grande desenvolvimento para a região”, afirmou o diretor-executivo de Infraestrutura e Logística da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Tufi Daher Filho.
A ferrovia terá 1.206 quilômetros na linha principal e outros 73 quilômetros em ramais secundários, ligando Eliseu Martins, no Piauí, ao Porto do Pecém, no Ceará. Do total do traçado, 608 quilômetros ficam em território cearense, beneficiando 28 municípios. Outros 18 municípios do Piauí e 7 de Pernambuco também serão atendidos.
O projeto também deve redesenhar o mapa logístico do Nordeste, especialmente para o escoamento da produção agrícola da região conhecida como Matopiba — que abrange áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. A expectativa é reduzir custos logísticos, ampliar a competitividade dos produtos brasileiros no exterior e estimular o desenvolvimento econômico nas regiões por onde a ferrovia passa.
Para o governo federal, o fortalecimento da malha ferroviária será essencial para o crescimento da economia brasileira. “Uma ferrovia, quando implantada, induz desenvolvimento ao seu redor, com novos terminais e centros logísticos. Além disso, é um meio de transporte mais eficiente e sustentável”, concluiu o secretário Leonardo Ribeiro.

