Um estudo inédito do MTE revela que o fim da escala 6×1 já é uma realidade prática para 66,8% dos trabalhadores brasileiros que já atuam na jornada 5×2Foto: Istock/ND
A realidade do mercado de trabalho brasileiro está mudando mais rápido do que o previsto. Um levantamento inédito do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), apresentado na terça-feira (10) na Câmara dos Deputados, revela que a polêmica escala 6×1 já é minoria no país.
Segundo os dados, 66,8% dos trabalhadores cadastrados no eSocial já cumprem jornadas de 40 horas semanais, seguindo a tendência do modelo 5×2 (cinco dias de trabalho para dois de descanso).
O Raio-X do trabalho no Brasil
Para chegar a essa conclusão, o Ministério utilizou tecnologia de Inteligência Artificial para analisar 50,3 milhões de vínculos trabalhistas. O estudo abrangeu desde celetistas e estatutários até trabalhadores domésticos e estagiários.
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Os números mostram uma divisão clara:
- Jornada 5×2 (ou similar): 29,7 milhões de pessoas já trabalham 40 horas por semana.
- Jornada 6×1: 14,8 milhões de trabalhadores (33,2% do total) ainda cumprem 44 horas ou mais, com apenas uma folga semanal.
Com o auxílio de Inteligência Artificial, o governo mapeou que a maioria do mercado formal já superou o modelo que o fim da escala 6×1 visa extinguirFoto: Imagem gerada por IA/ND Mais
Economia está “pronta” para a mudança
Com base no levantamento, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, defendeu durante a audiência que o fim da escala 6×1 não traria o caos econômico que alguns setores temem. Segundo ele, o Brasil já possui “lastro” para essa transição.
“Neste exato momento, a economia brasileira está pronta para suportar 40 horas semanais. É uma escala possível e coerente com o que a sociedade está pedindo”, afirmou o ministro aos parlamentares.
O ministro Luiz Marinho afirma que a economia brasileira possui lastro e maturidade para adotar a jornada de 40 horasFoto: Reprodução ND+
O cabo de guerra no Congresso
Apesar do otimismo do governo, o tema acendeu um alerta no setor produtivo. Enquanto o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sinaliza a intenção de votar a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do fim da escala 6×1 até maio, o empresariado articula para adiar o debate.
Os argumentos das entidades patronais
Setores como indústria, comércio e agronegócio – representados por entidades como CNI, CNA e CNC – lançaram um manifesto pedindo cautela. Os principais pontos de resistência são:
- Aumento de custos: o receio de que a mudança imediata eleve as despesas dos empregadores.
- Risco de informalidade: medo de que empresas reduzam salários ou contratem sem carteira assinada para compensar a nova jornada.
- Escassez de mão de obra: o setor de transportes, por exemplo, alega que já sofre com a falta de motoristas e que a redução da jornada agravaria a falta de profissionais disponíveis.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, pretende levar a PEC do fim da escala 6×1 à votação até maio de 2026Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados/ND Mais
Próximos passos
A disputa de calendário está lançada. O governo e o comando da Câmara querem votar o texto do fim da escala 6×1 ainda no primeiro semestre deste ano. Já as frentes empresariais pressionam para que a discussão ocorra apenas após as eleições de outubro, ou preferencialmente em 2027, sob uma nova composição do Legislativo.
Uma reunião decisiva entre o presidente da Câmara e lideranças empresariais está marcada para a próxima terça-feira (17) para tentar encontrar um meio-termo sobre o tempo de transição e os ganhos de produtividade necessários.

