Operação contra Cláudio Castro é autorizada pelo STF e mira investimentos do RioprevidênciaFoto: Agência Brasil/Reprodução/ND Mais
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (26) uma nova operação contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) para investigar aplicações bilionárias de recursos públicos do Estado em fundos ligados ao Banco Master.
Os mandados são cumpridos no Rio de Janeiro e no Distrito Federal, incluindo a residência do político na Barra da Tijuca, Zona Oeste da capital fluminense.
Operação contra Cláudio Castro foi autorizada pelo STF
A operação contra Cláudio Castro foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), e busca esclarecer suspeitas de gestão fraudulenta, desvio de recursos públicos e crimes contra o sistema financeiro nacional envolvendo investimentos feitos pelo Rioprevidência.
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Esta é a segunda vez em apenas 11 dias que Cláudio Castro entra na mira da Polícia Federal. Em 15 de maio, agentes cumpriram buscas contra o ex-governador no âmbito da Operação Sem Refino, que investiga supostas relações da antiga gestão estadual com o Grupo Refit, apontado pela Receita Federal como o maior sonegador de impostos do País. Na ocasião, celulares e tablets do político foram apreendidos.
Operação contra Cláudio Castro ocorre na residência do ex-governador na Barra da TijucaFoto: Pedro França/Agência Senado/ND Mais
O que a PF investiga agora
A nova operação contra Cláudio Castro a faz parte da oitava fase da Operação Compliance Zero. O foco é apurar transferências feitas pelo Rioprevidência, fundo previdenciário dos servidores públicos do Rio de Janeiro, para fundos vinculados ao Banco Master, instituição ligada a Daniel Vorcaro.
Segundo a investigação, o órgão aplicou cerca de R$ 970 milhões em ativos ligados à instituição financeira. A PF agora tenta rastrear aplicações que somam R$ 2,01 bilhões realizadas a partir de julho de 2024, totalizando aproximadamente R$ 3 bilhões transferidos pelo fundo previdenciário.
Os investigadores suspeitam que parte desses investimentos tenha ocorrido em ativos considerados de alto risco, conhecidos no mercado financeiro como “créditos podres”. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central e passou a ser alvo de diferentes apurações envolvendo sua atuação no mercado.
Banco Master foi liquidado pelo Banco Central e é alvo de suspeitasFoto: Divulgação/ND Mais
Mandados são cumpridos no Rio e no DF
Ao todo, a Polícia Federal cumpre 10 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF. As diligências ocorrem em endereços ligados a investigados no Rio de Janeiro e no Distrito Federal.
Entre os alvos está a cobertura onde Cláudio Castro mora, em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca. Até a última atualização do caso, a defesa do ex-governador não havia se manifestado sobre a operação.
Rioprevidência também é investigado
Além da Compliance Zero, o Rioprevidência também aparece no centro da Operação Barco de Papel, outra investigação conduzida pela Polícia Federal.
Nesse inquérito, a PF apura a atuação de ex-presidentes, diretores e gerentes de investimentos da autarquia, além de possíveis conexões com executivos do Banco Master.
De acordo com informações do próprio fundo previdenciário, os papéis adquiridos foram emitidos entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com vencimentos previstos apenas para 2033 e 2034.
Crimes investigados pela Polícia Federal
As investigações envolvem uma série de suspeitas relacionadas à gestão dos recursos públicos estaduais. Entre os crimes apurados pela PF estão:
crimes contra o sistema financeiro nacional; gestão fraudulenta; desvio de recursos públicos; indução de repartição pública ao erro; fraude contra fiscalização e investidores; associação criminosa; corrupção passiva.
A Polícia Federal busca entender se houve favorecimento indevido, omissão de riscos nas operações financeiras e possíveis vantagens ilícitas envolvendo os investimentos do Rioprevidência em fundos ligados ao Banco Master.

