Marquinhos em entrevista à série Porta AbertaFoto: Rodrigo Polidoro/ND Mais
Marquinhos e Avaí são sinônimos, o ídolo existe porque o clube abriu a chance do garoto do bairro Bom Viver, em Biguaçu, realizar o teste escondido do pai. Aos 17 anos, apareceu na TV e o seu Luiz descobriu que o filho mais velho havia driblado jogadores experientes e até feito gol. De lá para cá muita coisa aconteceu na vida de Marcos Vicente dos Santos, entrevistado da série Porta Aberta no Jornal ND e no portal ND Mais.
Na sua segunda casa, a Ressacada, Marquinhos, 44 anos, abriu o baú com polêmicas no clássico com o Figueirense, lembrança de tudo que abriu mão financeiramente para realizar o objetivo de chegar à Série A com o clube do coração e destacou que o começo não era nem o campo, mas o futebol de salão. Ídolo do Avaí, M10, que também foi dono de ônibus de excursão, também vestiu as camisas de Bayer Leverkusen, Paraná, Flamengo, São Paulo, Coritiba, Inter de Limeira, Iraty, Santa Cruz, Atlético-MG, Santos e Grêmio.
Leia a entrevista com Marquinhos
Imaginavas que serias o principal ídolo do clube do teu coração?
Eu tinha essa vontade de poder virar jogador de futebol de salão. Claro, mesclando com o campo o final de semana, porque meu pai sempre teve um time. Eu nasci praticamente dentro do campo de futebol, porque o meu pai teve o time Benfica, até hoje a gente tem, joga eu, meu irmão, meu filho, ele jogava. Queria jogar, queria ser feliz, queria brincar, gostava de jogar futebol de salão e joguei também em Chapecó e Nova Erechim, disputei campeonato por eles, fui campeão lá por Nova Erechim do Sul-Brasileir. Eu sempre sonhei com o futebol de salão, fazer carreira.
Nesse período o teu pai tinha um bar, um boteco raiz, tu imaginava o quê?
O que eu não queria era ajudar o pai no bar, isso foi uma coisa que o Mesquita sempre pegava no meu pé. Algumas vezes tinha dois treinos e tinha o colégio que eu também jogava bola. Ele dizia: “tu quer ficar atrás do balcão servindo cerveja para os caras, sendo que tu tem um dom para poder explorar e poder mudar a vida da tua família toda?”. Eu não me via aí fazendo outra coisa, a não ser virar jogador de futebol de salão.
Alguns jogavam no time do meu pai que disputava o campeonato da Licob, outros jogavam na Indil, que era uma referência com muitos ex-jogadores que marcaram época, tanto no futebol profissional como no futebol amador. Eu falava: “um dia esses caras vão bater palma para mim”. Isso aí começou a ser uma situação que começou a me querer mostrar cada vez mais. Primeiro ser o melhor jogador de Biguaçu, depois ser o melhor jogador de futebol de de salão e, consequentemente, ser o melhor jogador do Avaí.
Marquinhos no jogo de despedida pelo AvaíFoto: Rodrigo Polidoro/ND Mais
Lembra do dia do teu teste?
Então, Jorge, cara, eu sempre gostei de jogar futebol, como eu te falei, independente do do terreno. Antes de eu vir fazer o teste aqui no sábado de manhã, eu recebi na semana duas propostas, da Malwee e da AABB Rotesma, de Chapecó, para ganhar R$ 600 no futebol de salão. Era um bom salário, né? Só que eu tinha que sair daqui e antigamente não era Malwee, era Colégio São Luís ainda. Eu vou fazer um jogo na quadra do Renato Sá, na Ivo Silveira, e quem estava jogando era o falecido Pantera e o Gonzaga.
Eu era jovem e fiz a diferença, marquei sete gols – antigamente você ganhava comprava a fita cassete lá e o Mesquita tem até hoje. Depois a gente conversou e o Gonzaga pediu para eu fazer um teste. O meu pai não queria que eu viesse fazer esse teste, porque antigamente havia muita proposta de empresário e eles falavam que iriam me levar para São Paulo e Rio. Eu acordei cedo e vim, só a minha mãe sabia. O Mesquita me pegou na casa do Reis e me trouxe, eu joguei 10 minutos, dei uma caneta no Altair, dei uma cavada no César Silva e fiz um gol. E aí estava o João Carlos Dias vendo o treino e falou: “Se ele não trouxer o pai dele para assinar o contrato na segunda-feira ele não treina”. Aquele treino passou na TV, tinha feito matéria, e eu tava no bar ajudando quando passou a matéria. Daqui a pouco ele olha a TV e aparece um galeguinho lá no campo do Avaí. Ele me olha assim, eu saio correndo: “Mãe, mãe, mãe, mãe, o pai tá puto comigo, ele descobriu” (risos).
E lembras do começo?
A hora que marca mesmo é o primeiro gol, contra o Inter de Lages, que daí eu começo a virar jogador de verdade. A primeira vaia, é igual o treinador, quando ele é chamado de burro é que ele está pronto para virar treinador. Quando eu converso com o Gonzaga, com o João Carlos Dias, que eu só deixaria de jogar futebol de salão se fosse direto profissional do Avaí, para a base eu não viria”.
O meu sonho era fazer um jogo no profissional do Avaí, consegui fazer 400, mas antes disso eu já me tornei um ídolo, né? Tornei um ídolo, um cara referência, um cara que lutou para isso.
O Juan Figger, empresário famoso, compra teu passe e muda o teu destino. Como foi essa aventura no Bayer Leverkusen?
Vem uma TV alemã para cá, fica gravando um mês aqui, só que antes disso eu fui para Inter de Limeira para ficar dois meses. A gente chega na Alemanha, não conhece nada, não sabe falar nada, o meu pai viajava comigo só em jogos de futebol de salão, mas nunca viajou tão longe assim. Chegamos no aeroporto de Frankfurt, que é maior que o bairro Bom Viver, levamos um livrinho de alemão e o meu pai achava que falando alto os caras iriam entender. Ele fala português alto e nada (risos). Me deu muita saudade daqui e levei a minha família para lá. Minha namorada, que consequentemente virou esposa, e o meu irmão eram menores e a gente não sabia: “Pô, tô com a passagem, tô com o dinheiro, posso viajar com quem eu quiser”, mas chega em São Paulo a Polícia Federal encosta eles. Precisava de autorização pra ir.
Eu começo a jogar e com três meses eu tenho a minha primeira lesão de cruzado (joelho). Eu volto para o Brasil porque lá o tratamento era muito ruim. Hoje o Funchal (médico do Avaí) me explicando vejo que eles erraram, por isso que eu tenho limitações, com mais sequelas, e a minha perna não estica. Depois a gente volta para a Alemanha em dezembro e desce em Munique e estava nevando, mas o meu pai achava que era areia: “Pô, Marco, aqui é cheio de praia”. Ele achou que a neve era areia”. A verdade é que estava muito frio (risos).
Lá foi um aprendizado gigantesco para eu poder me empregar nos times grandes que eu empreguei, para poder sempre ser um cara referência.
E qual foi tua relação com o dinheiro? Acho até que poderias, mas nunca ninguém te viu com uma Ferrari, Porsche andando por aí.
A gente vem de uma família humilde, nunca passei fome, meu pai sempre trabalhou, minha mãe sempre trabalhou, sempre deu condições de alimentação, colégio estadual, de material, disso aquilo. Mas tive alguns meses de aperto, porque meu pai como dono de bar tinha os fiados. Eu nunca fui deslumbrado, comprei um apartamento no Estreito para os meus pais e eles moram até hoje e, consequentemente, eu compro um ônibus. Ninguém sabe, pouca gente sabe que eu comprei um ônibus de turismo.
Fazia aquelas viagens para Curitiba, fiz várias viagens para torcedores do Figueirense, antes não tinha essa rivalidade toda comigo, veio depois de 2008. Era M10 Tour o nome da minha empresa. Depois a minha segunda aquisição foi o meu terreno em Palmas, que tinha um valor legal para comprar, depois construí a casa lá que tem até hoje. Depois eu comprei a minha casa no Bom Viver, que eu queria tirar meu sogro de onde ele morava com a minha sogra e botar lá. Nunca me chamou atenção em morar no Centro, Jurerê, eu não saí da Serraria e do Bom Viver. Consegui realizar o sonho de todo mundo lá, meus amigos de verdade que torcem por mim viram em mim a realização do sonho deles. Então, nada mais justo do que eu estar junto com eles também desfrutando junto com eles.
Depois construí meus galpões, que eu vivo até hoje, quando dá alguns BO aqui no Avaí são eles que me seguram (risos).
Jogasse por Grêmio, Santos, Santa Cruz, São Paulo, um currículo vasto, mas onde não fosse feliz?
Fui menos feliz no Flamengo. Eu tinha contrato de dois anos e meio, mas não tive muitas oportunidades e o Flamengo vinha uma situação financeira muito ruim e não pagava. A partir do momento que deu seis meses sem pagar eu pedi para rescindir. Meu passe era do Bayern, só que eu recebia do Flamengo. Eu queria jogar no Flamengo, porque faço um campeonato muito bom pelo Paraná em 2002 e o Flamengo vem atrás. A gente faz um campeonato bom na Copa dos Campeões, a gente chega à semifinal contra o Cruzeiro. É o único clube que eu não fiz um gol. Fazer um gol pelo Flamengo é diferente de todos os outros times, né? E eu não tive essa oportunidade. Sou avaiano doente, mas o segundo time meu é o Vasco e eu joguei no Flamengo. Mas eu queria ter feito gol.
E qual clube, fora o Avaí, fosse mais feliz? O Santos?
O que eu fui mais feliz foi o Grêmio, não foi nem o Santos. Apesar de tudo que ganhei no Santos, ter jogado com o Neymar… quer dizer, ele que jogou comigo, né? O Grêmio montou um grupo que era uma família, amizades legais e o time tinha muita qualidade. Não se compara com o time do Santos, que foi um ano mágico.
Dos times que eu joguei, dos times que eu vi, o que a gente fazia era absurdo. Era uma coisa assim de outro mundo que até hoje não vi. Do jeito que a gente se divertia, do jeito que as pessoas paravam para nos olhar, né? Tu ia para o aeroporto, tinha três, quatro mil pessoas no aeroporto para a gente descer. Óbvio que não era para ver o Marquinhos, mas eu tava junto no bolo. Eles tinham muito carisma, o Neymar, o Ganso, o André e até o feio do Zé Love, eles tinham carisma, né? Era um grupo que os jogadores gostavam de estarem juntos, de escutar histórias não só dos experientes, eu também queria gostava de escutar a história deles, porque eles estavam fervendo na noite, né? Já que a gente não pode ir, a gente escuta os assuntos deles (risos).
E tivesse a oportunidade de usar a camisa 10 do Rei Pelé…
Conheci o Pelé, jogar com a 10 do Pelé no aniversário de 70 anos dele e jogar com a 10. Infelizmente foi porque o Ganso tinha machucado o joelho, por isso que eu joguei com a 10 e depois continuei com a 10, mas no aniversário do Pelé de 70 anos foi especial, a camisa está na minha casa. Quem tem história conte a sua. Fui privilegiado e fico lisonjeado por ter vestido essa camisa.
Qual foi o melhor jogador que atuou ao teu lado?
Neymar era um craque, mas foi o Zé Roberto. O Zé para mim é absurdo que ele jogava. É um cara de muita qualidade técnica, muita visão e profissional ao extremo assim. O Zé eu treinei com ele em dois, três anos. Dois na Alemanha, um ano e meio na Alemanha e mais um ano e meio no Grêmio. Claro que o Neymar é mais decisivo que o Zé, mas o jogador mais completo assim foi o Zé. Para fazer o que ele fez na Alemanha, com todo o passado de racismo, ele fez uma capa de revista com o título de “Deus Negro na Alemanha” no Bild, o cara tem que ter jogado muito. O Zé era a referência do nosso time, tanto é que o Bayern de Munique vê que o contrato dele tá acabando e o leva.
E o Neymar?
O Neymar me salvou no Campeonato Paulista e eu salvei ele na Copa do Brasil, quando ele cava o pênalti. Depois eu faço o gol de falta. É um menino que eu tenho um carinho especial. Eu acho às vezes muita covardia o que fazem com ele. Também algumas coisas ele também provoca, mas está dentro do pacote. Se tu parar para conversar com ele vai ver que é puro.
Ele deve ir para a Copa?
Tem que conversar com ele. O problema nunca foi o Neymar. O problema foi o pacote que vem com o Neymar. Sempre foi isso. No Santos foi isso. Santos era isso. Eu tive a oportunidade de chamar o pai de Neymar e conversar com ele para dar uma segurada. Eu fui um dos caras que fui em cima dele, só que é o mesmo momento depois que o Dorival pede para sair e eu continuo lá e falo para ele: “ano que vem eu não tô mais aqui”. Ele falou: “não, patrão, fica aqui, cara, desculpa”.
O Dorival me levou para lá e a gente fez um planejamento: “tu não tem culpa de nada, não, cara. Quem tem culpa é quem aplaudiu a tua atitude, quem passou a mão na tua cabeça que era a diretoria, te amo, tem idade para ser meu filho, cara, sei da tua essência, só que tu se perdeu pelo momento que tu vivia, por todo o glamour que estava em cima de ti”, disse pra ele. Eu não poderia compactuar com o erro que ele teve xingando o meu treinador e jogando um copo no Ivan, auxiliar, no vestiário. Então o pessoal acha que é só dentro do campo, também teve fora teve no vestiário e ninguém da diretoria cobrou ele do jeito que a gente cobrou, do jeito que o Dorival queria, né?
Nós precisamos do Neymar por 15, 20 minutos. Tem que conversar, tem que ver o quanto ele está disposto a se sacrificar. Ele tem que pagar o preço. Se ele quiser pagar o preço ele vai conseguir nos ajudar. Não digo jogar um jogo inteiro, não precisa, não precisamos do Neymar um jogo inteiro. Ele vai jogar 20 minutos e vai resolver o jogo para a gente.
E o futebol te deixou marcas?
Essas físicas doem, mas dói dentro também. Por exemplo, essa minha paixão pelo Avaí me atrapalhou. Eu estava bem nos clubes e daqui a pouco não queria ficar e voltava para o Avaí. No próprio Grêmio, eu tinha três anos de contrato, mas voltei antes. Eu nunca botei o dinheiro na frente, eu botei a minha vontade, o meu amor, a minha paixão. O dinheiro nunca mandou em mim. Eu mandei no dinheiro e manda até hoje. Na Alemanha podia ficar sentado 8 anos de contrato.
Todo dia 20 eu recebia meu salário e não era pouco, né? Abri mão para vir para cá. Essa situação me atrapalhou porque eu acho que eu poderia ter pego seleção, mas também naquela ocasião, quando a gente fala de seleção, a minha disputa era muito covarde, né? Eu jogava só de 10 e tinha Alex, Djalminha, Ronaldinho, Rivaldo, Ricardinho, Kaká.
As minhas lesões em momentos cruciais me atrapalharam bastante. Acho que atrapalhou sim esse amor pelo Avaí, mas continuo amando o Avaí, né? Claro que eu joguei em outros clubes, mas o Avaí me abriu as portas e sempre me abraçou quando eu voltava. O Avaí sempre me deu carinho.
E a tua relação com o ex-presidente João Nilson Zunino era especial? Ele te segurou no clube?
O nosso amigo Zunino sempre foi um cara que me abraçou nos momentos mais difíceis. Mesmo eu não estando aqui, ele me ligava, me consultava, via como eu tava. Doido para dizer: “Ó, pai, me traz de volta que eu tô indo”. E não precisava nem abrir a boca para terminar a frase que ele: “Ó, filho, já acertei com esse, com esse, aquele”.
Meia Marquinhos Santos abraça o ainda jovem craque Neymar, na época de SantosFoto: Divulgação
Em 2008 teve uma situação que poderia ter acabado com com o início de uma idolatria, né?
No último jogo do turno o Cuca, treinador do Santos, me ligando direto. O Odair estava no quarto comigo e não consegui dormir à tarde, eu sempre gostava de dormir à tarde, jogo 20h30 no Anacleto Campanella. Eu ganhava R$ 25 mil aqui e a primeira proposta do Santos foi de R$ 100 mil por três anos de contrato. Eu disse não, mas em 30 minutos o Juan Figger disse que a proposta era de R$ 150 mil. Não sei como, mas eles pegaram o telefone da minha esposa e ligaram para ela falando que tinha uma cobertura para eu morar em Santos, falaram do valor do salário, porque até então eu não tinha passado nada. Imagina você ganhar 25 e passar para 150? Ela me falou: “Tá maluco para não aceitar uma proposta dessa”. E aí o Zunino não tá nesse jogo.
A gente termina o jogo, empate em 3 a 3 com o São Caetano, e o Juan Figger está lá com o filho dele, André, depois o Zunino desce e bota os caras pra correr. Chegamos em Florianópolis e no aeroporto um torcedor, aquele dia me deu raiva, jogou uma moeda em mim me chamando de mercenário. Eu e o Cocito corremos atrás. Eu não tinha aceitado, só que já tinha dado na rádio. Qualquer um iria, mas eu não queria ir porque o planejamento foi montado direitinho, com carinho, porque 2007 quase caiu e foi montado. O Ramires começou esse planejamento montando esse time, que a gente não ganha o estadual por uma infelicidade, mas termina com o acesso histórico à Série A de 2008.
Eu me reuni com o Luiz Alberto e o Zunino para dar uma ajustada no meu salário e me comprar: “Eu quero R$ 300 mil por 50% do meu passe”. Porém, eles queriam me dar R$ 60 mil de salário e não comprar o passe. Eu falei: “Não quero porque assim o maior salário ia ser o meu”.
Eu estava bem encaixado no time, aquela ligação com o torcedor, com a cidade, com a paixão com o clube, enfim, aí o Zunino me compra. Ele dá o cheque do Santa Luzia, só que antes ele oferece para outros e ninguém quis comprar junto. Ele deu três cheques de R$ 100 mil e eu fico. Ali ele bateu no peito e abraçou a causa. O nosso carinho e afeto era imenso e no fim subimos e em 2009 fomos campeões estaduais.
Ele era um visionário. Em 2010 ele me negociou com o Santos e daqueles R$ 300 mil ele pegou R$ 700, depois na ida para o Grêmio foi mais R$ 1 milhão para o Avaí.
E o folclórico créu, hein?
E aí a partir de 2008, quando eu volto para o Avaí, aí começa isso porque muito se fala do clássico do créu. Cara, em nenhum momento eu dancei o créu para o torcedor do Figueirense. Eu não vou na torcida do Figueirense, cara. Quem vai é o Bebeto, não sou eu. Eu vou para nossa torcida, mas o Roberto Alves falou que eu fui para torcida do Figueirense, que eu passei no setor A.
O Figueirense naquela ocasião estava batendo para caramba no Avaí, eu não podia ajudar, eu estava fora jogando em outros times. Nesse clássico, se a gente for lembrar bem, o Figueirense entra com uma liminar que o torcedor do Avaí não podia com a camisa. Tanto é que eles estavam mandando soberanos aqui. Aí começou aquela rivalidade, algumas vezes eu passando no limite, mas daí já comecei a deixar a paixão entrar pela razão porque aconteceu muita situação de meus filhos serem chacota no colégio, já mexendo com o pai.
Alguns clássicos também terminaram em confusão, não?
Clássico não dá para jogar, tem que ganhar. E aí cada um com as suas armas. Teve um clássico lá que o jogo estava ruim, 1 a 1. Olhei para o Eduardo Costa e falei: “vamos ser expulsos e tirar dois caras do time de lá”, eles estavam nos atropelando. Hoje é meu amigo e joga comigo no amador, o Everton Santos, e o outro era o Dudu. Falei: “Dá num que eu dou no outro. Depois a gente pede desculpa, irmão, mas agora a gente não pode perder clássico”.
Nisso vamos os quatro expulsos e ganhamos por 2 a 1, gol do Paulo Sérgio. A gente ganhou porque tirou a velocidade deles e aqui, eu e o Eduardo, éramos dois cavalos cansados contra duas McLarens (risos). Claro que já perdi também, mas se for botar na conta eu tenho mais clássico com o vitória. Como diretor e coordenador nem se fala, né?
E como tu reage às críticas de que o Marquinhos não faz nada, tá roubando o Avaí?
A gente não vai agradar todo mundo, né? Acho que agora eles já viram o que eu faço aqui dentro, né? Na verdade, eu convido todos eles a virem aqui, a ver o dia a dia, a ver o que representa. E outra coisa, se eu fosse cobrar tudo que eu faço aqui dentro, o Avaí não teria dinheiro para me pagar. Vamos ser bem sinceros, desde quando eu era jogador, se eu fosse cobrar o valor exato que eu merecia aqui dentro…
Porque se se der um BO na cozinha, se tem um BO na rouparia, se tem um BO com jogador eu vou e tento resolver. Entendeu? Se tem atraso de salário, bom, já botei a minha casa no esquema, se não pagasse ia à minha casa embora. Já peguei dinheiro aqui, dinheiro acolá. Enfim, já abri mão do meu salário, mas esses caras são minoria.
Eu não sento em cima da minha idolatria, não sou funcionário de redes sociais para ficar me vangloriando. Como o Marquinhos como diretor não é bom? Sou o único que foi campeão catarinense e subiu no mesmo ano, o Diogo saiu no Brasileiro e me ajudou a montar o time e o Marco Aurélio ficou pelo meio do caminho.
M10 é auxiliar técnico do AvaíFoto: Rodrigo Polidoro/ND Mais
Deu para fazer amigos no futebol?
Tenho vários amigos no futebol, né? Óbvio que amigos e irmãos são aqueles que viviam comigo no colégio Tânia Mara, que são do Bom Viver e se virem uma bala pulam por mim. No futebol fiz poucos amigos, mas são caras de verdade. O Douglas (maestro) é um irmão que eu tenho aqui, o Edilson, Léo Gago, William, tirando os que são daqui, como o Rudnei, Eduardo Costa, o Siqueira, que a gente convive.
E qual o melhor treinador que você teve?
O Dorival era um puta de um treinador, mas por exemplo eu peguei o Vanderlei Luxemburgo, que dentro de campo é o melhor que tem. Não dá a chave do clube pra ele que você vai se arrepender, mas na hora do treino e leitura de jogo é o melhor.

