O gerente de futebol do Figueirense, Túlio Guerreiro, concedeu entrevista coletiva na manhã de terça (1) no CFTFoto: Youtube Figueirense/ND
A Série C acabou cedo demais para o Figueirense, mas a temporada ainda não terminou. E a entrevista de Túlio Lustosa, executivo de futebol, na manhã desta terça (1), deixa claro que o clube precisa transformar a frustração pela eliminação em combustível para o que vem pela frente.
A Copa Santa Catarina, embora deficitária e sem grande apelo de público e visibilidade, precisa ser tratada como prioridade. Está em jogo uma vaga na Copa do Brasil de 2027, competição que representa calendário e receita.
O mesmo vale para a Segunda Divisão estadual, que por enquanto está por iniciar em abril de 2027. O Figueirense não pode se dar ao luxo de disputar mais um ano fora da elite. Portanto, as duas competições precisam ser encaradas como etapas fundamentais de um projeto maior. Não há glamour nenhum, mas há obrigação. É preciso vencer. E claro, a Série C de 2027, que o Furacão vai para o sétimo ano consecutivo, já está na hora de buscar retorno a Série B.
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Nesse cenário, considero correta a decisão de encaminhar a renovação de Raul Cabral. Não significa passar pano para os erros cometidos pelo treinador, que também teve responsabilidade em alguns resultados, com leituras equivocadas, como contra o Guarani, e escolhas que poderiam ter sido diferentes contra a Ferroviária, por exemplo.
Mas futebol também precisa ser analisado dentro do contexto. Raul assumiu um elenco desequilibrado, com déficit físico, atletas em recuperação e, pouco depois, o clube foi atingido pelo transfer ban, que impediu qualquer possibilidade de reforçar a equipe.
E, há um dado que não pode ser ignorado: nos últimos 12 jogos, o Figueirense perdeu apenas uma vez e apresentou uma equipe muito mais competitiva. Se tivesse começado a Série C com o nível de organização e competitividade demonstrado na reta final, provavelmente teria feito uma campanha melhor e poderia estar discutindo classificação.
Raul também reúne características importantes para este momento. É jovem, conhece o futebol catarinense, é de Tubarão, conhece o ambiente do Orlando Scarpelli e já teve passagem pelo profissional e pela base do Figueirense, onde trabalhou durante vários anos. Conhece a Série C, passou por Tombense e Ypiranga, e já conhece o atual elenco. Isso facilita a avaliação sobre quem deve permanecer e quem precisa sair. E é um jovem treinador estudioso, e até fez muito com pouco, dentro do cenário após rebaixamento do estadual.
A reformulação, aliás, será inevitável. Segundo Túlio, 90% do elenco tem contrato até o fim da Copa Santa Catarina, mas o próprio executivo admite a necessidade de mudanças. Laterais, zagueiros e meio-campistas estão entre as prioridades. O desafio será convencer jogadores a fazer parte de um projeto que, inicialmente, oferece uma Copa Santa Catarina e uma Segunda Divisão estadual, competições de pouca visibilidade. A contrapartida terá de ser um projeto sério e a perspectiva de disputar uma Série C competitiva.
E há um ponto positivo na fala do executivo: os salários estão em dia. Parece básico, e deveria ser, mas no Figueirense isso ganhou enorme significado depois de tantos anos de problemas administrativos e financeiros. O ambiente interno também, segundo Túlio, mudou completamente. É justamente essa organização que precisa deixar de ser exceção e virar rotina.
A nova SAF, capitaneada por Eduardo Mafra, com a chegada da Pansports, futura adquirente de 90% da SAF Alvinegra, que já viu frutos com a competitividade maior que o Figueirense demonstrou na reta final da Série C, daquilo que já conseguiram organizar, terá agora a oportunidade de corrigir a rota daquilo que a gestão anterior, que já saiu, deixou de herança.
O Figueirense precisa ser competitivo em campo e ter um novo planejamento e organização fora dele
Estádio Orlando Scarpelli, FigueirenseFoto: FFC/ND
O Figueirense vai para a sétima temporada consecutiva na Série C. É tempo demais para um clube desse tamanho permanecer no mesmo lugar. A gestão anterior, iniciada em 2020, fracassou especialmente no futebol, e uma mudança profunda de conceito é inevitável.
O torcedor não precisa de promessas grandiosas. Precisa de planejamento cumprido, elenco equilibrado, salários em dia, decisões coerentes e um time competitivo. A Copa Santa Catarina é o primeiro teste. A Segunda Divisão será o segundo, e ainda o mais importante deles, a Série C. E 2027 precisa ser o ano em que o Figueirense finalmente comece a sair do buraco.

