Empresária troca carreira na saúde pelo sonho de criar uma cervejaria artesanal em SCFoto: Big John/ND Mais
O sonho de ter uma indústria começou ainda na universidade para a empresária Diovana Strieder Schacker, mas levou anos até ganhar forma. Após mais de uma década atuando na área da saúde, uma viagem à Europa mudou os rumos da trajetória profissional.
A experiência com novos sabores e estilos da bebida inspirou a criação da cervejaria Big John, inaugurada em 2017 em Descanso, no Extremo-Oeste de Santa Catarina.
“Eu imaginava que produzir algo seria desafiador. Mas, quando terminei a faculdade, não me sentia segura o suficiente para embarcar nisso”, lembrou Diovana, proprietária da Big John, em entrevista ao portal ND Mais.
Receba no WhatsApp as principais notícias de Blumenau e Vale do Itajaí Entre no grupo
O sonho de ter uma indústria
Durante um curso de Administração, Diovana contou que enxergava três caminhos possíveis para empreender: comércio, prestação de serviços ou indústria.
A experiência no comércio veio cedo, trabalhando na pequena loja da mãe, onde aprendeu na prática desde a limpeza e organização até as vendas e a gestão do negócio.
Já na área de serviços, teve contato ao ajudar o marido a estruturar e inserir no mercado regional uma clínica médica. Apesar da curiosidade, a indústria ainda parecia um caminho distante naquele momento.
Em vez de investir diretamente na indústria, Diovana decidiu apostar em um negócio mais consolidado: abriu uma farmácia em um ponto estratégico da cidade. O empreendimento teve bons resultados e abriu portas para novos projetos na área da saúde.
Com o tempo, o negócio se expandiu para o mercado de vacinas, em uma época em que muitas delas ainda não eram disponibilizadas pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
Durante mais de uma década, ela conciliou a administração da farmácia, de uma clínica de vacinas e também da clínica médica do marido. Mesmo assim, o desejo de produzir algo próprio nunca desapareceu.
“Eu sempre soube que queria ter uma indústria, mas ainda não sabia exatamente o que produzir”, contou Diovana.
A experiência com novos sabores e estilos da bebida inspirou a criação da cervejaria Big JohnFoto: Big John/ND Mais
Viagem à Europa despertou o interesse pela cerveja artesanal
O ponto de virada surgiu durante uma viagem à Europa. Movida pelo desejo de conhecer a Alemanha, país de origem de seus antepassados, Diovana teve contato com um universo que até então era desconhecido para ela: o das cervejas artesanais.
Nos bares europeus, ela descobriu estilos e sabores muito diferentes das cervejas consumidas no Brasil. “Percebi que aquilo era muito mais do que beber para matar a sede. Era uma experiência, com aromas, sabores e histórias”, relatou Diovana.
Outro detalhe chamou a atenção: mesmo cidades pequenas tinham várias cervejarias locais, cada uma com identidade própria. A partir dali, surgiu a ideia que mudaria sua trajetória: transformar o antigo sonho da indústria em uma cervejaria.
O ponto de virada surgiu durante uma viagem à EuropaFoto: Big John/ND Mais
Formação em cerveja abriu caminho para o negócio
Mesmo motivada, ainda havia desafios. Na época, Diovana era mãe de duas filhas pequenas e administrava os negócios da família, o que dificultava a possibilidade de estudar fora do país para se tornar mestre cervejeira.
A oportunidade apareceu em Santa Catarina, com a criação da Escola Superior de Cerveja e Malte, em Blumenau, considerada a primeira escola especializada em cerveja da América Latina.
Diovana ingressou em uma pós-graduação na instituição e passou três anos viajando regularmente para estudar.
“Foi uma experiência transformadora. Conheci profundamente o mundo da cerveja, fiz networking e me apaixonei ainda mais por esse universo”, afirmou a empresária.
Durante esse período, também fez cursos voltados à estruturação de cervejarias e conheceu parceiros que ajudariam a tornar o projeto realidade.
Cervejaria Big John começou com cinco estilos de cervejaFoto: Big John/ND Mais
Nasce a cervejaria Big John
Depois de elaborar o plano de negócios e escolher cuidadosamente o terreno, a cervejaria Big John começou a sair do papel. A localização foi pensada para unir logística e turismo: um espaço elevado, próximo à rodovia e com potencial para receber visitantes.
Em 2017, após cerca de 9 meses de obras, a cervejaria Big John foi inaugurada. A abertura contou com cinco estilos de cerveja disponíveis nas torneiras e atraiu milhares de pessoas curiosas para conhecer a nova estrutura.
“Foi um verdadeiro sucesso. Muita gente veio conhecer o espaço, ouvir música e experimentar nossas cervejas”, relembrou.
Em 2017, após cerca de 9 meses de obras, a cervejaria Big John foi inauguradaFoto: Big John/ND Mais
A origem do nome Big John
A escolha do nome também foi um processo cuidadoso. Inicialmente, muitos imaginavam que a marca teria origem alemã, por conta da tradição cervejeira do país.
No entanto, ao conhecer diferentes escolas cervejeiras pelo mundo, Diovana decidiu que a marca não deveria ficar vinculada a uma única tradição.
Depois de um longo processo de brainstorming que chegou a reunir mais de 200 sugestões de nomes, duas opções chegaram à final: Pato Preto e Big John.
A escolha final foi por Big John, principalmente pela possibilidade de criar uma figura simbólica para representar a marca.
Mr. Big John: o personagem por trás da marcaFoto: Big John/ND Mais
Mr. Big John: o personagem por trás da marca
Assim nasceu Mr. Big John, personagem que representa o espírito da cervejaria. Segundo a empresária, ele é descrito como um cervejeiro que viajou o mundo conhecendo diferentes culturas e estilos de produção. Cada cerveja criada seria inspirada em uma dessas experiências.
“O Mr. Big John escolhe um chapéu da sua coleção todas as manhãs. Dependendo do chapéu, ele se inspira para criar uma nova cerveja”, explicou.
A ideia da marca é transmitir uma identidade que valoriza liberdade, criatividade e experiências ao redor da mesa.
A cerveja artesanal é escolhida com cuidado e apreciada com calmaFoto: Big John/ND Mais
Cerveja artesanal e momentos de convivência
Para a empresária, a cerveja artesanal está ligada a momentos de convivência e celebração.
“Acreditamos que os melhores momentos da vida acontecem em volta da mesa, comendo e bebendo. A cerveja artesanal faz parte desses encontros, quando as pessoas se reúnem para compartilhar experiências”, afirmou.
Diferente da bebida consumida apenas de forma rápida, ela destaca que a cerveja artesanal é escolhida com cuidado e apreciada com calma.
A cervejaria Big John busca consolidar seu espaço no mercado de cervejas artesanaisFoto: Big John/ND Mais
Desafio é mostrar valor ao consumidor
Hoje, a cervejaria Big John busca consolidar seu espaço no mercado de cervejas artesanais. Segundo Diovana, o produto não tem a proposta de competir com os preços mais baixos.
“Não queremos ser a marca mais barata. Nosso foco é oferecer qualidade e um bom custo-benefício”, explicou.
O principal desafio, segundo ela, é mostrar ao consumidor a diferença entre uma cerveja artesanal e produtos produzidos em larga escala.
“Sabemos que o nosso produto é diferenciado, mas muitas vezes ainda precisamos mostrar melhor esse valor para que o consumidor entenda por que vale a pena escolher uma cerveja artesanal”, concluiu.

