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Decisão sobre caso de Karina Kufa acende alerta e psicologia explica por que algumas pessoas ignoram sinais de parceiros tóxicos

Ultima atualização: 17 de julho de 2026 08:00
Por Leandra da Luz
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Decisão sobre caso de Karina Kufa acende alerta e psicologia explica por que algumas pessoas ignoram sinais de parceiros tóxicos
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Thiago Brennand e Karina KufaA psicologia mostra que reconhecer padrões prejudiciais em um relacionamento pode ser um processo mais complexo do que pareceFoto: Redes Sociais/ND Mais

A repercussão do casamento entre a advogada Karina Kufa e o empresário Thiago Brennand, condenado por estupro e agressão, reacendeu um debate que vai além do âmbito jurídico. Após uma decisão liminar da Justiça de São Paulo envolvendo a guarda do filho da advogada, muitas pessoas passaram a se perguntar: por que alguém pode deixar de perceber os sinais de um parceiro tóxico?

A psicologia explica que fatores emocionais e cognitivos podem dificultar o reconhecimento de comportamentos prejudiciais, independentemente do nível de escolaridade ou da profissão.

O viés de confirmação e a força da primeira impressão

Segundo o Dr. Lawrence Josephs, doutor em psicologia pela Universidade de Adelphi, o cérebro humano pode ser influenciado pelo chamado “efeito de primazia”. Isso significa que as primeiras impressões têm um peso grande na forma como enxergamos alguém.

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bandeirinha vermelha levantada para o céu, simboliza a red flagNem sempre os sinais de uma relação difícil aparecem de forma clara, muitas vezes, eles surgem aos poucos e podem ser normalizadosFoto: Magnific/ND Mais

Em um relacionamento, quando o início é marcado por uma imagem positiva, com sensação de conexão ou afinidade, a pessoa pode passar a valorizar mais as evidências que confirmam essa visão e deixar de perceber sinais que contradizem essa primeira impressão.

Esse fenômeno, conhecido como viés de confirmação, faz com que sinais de alerta, as red flags, sejam minimizados ou racionalizados. Quando confrontada com o histórico de um parceiro tóxico, a pessoa pode acreditar que possui uma visão privilegiada da “verdadeira essência” do outro, tratando o comportamento abusivo como um problema externo ou uma injustiça do sistema.

Estilos de apego e a dificuldade em identificar um parceiro tóxico

A percepção de perigo em uma relação não é igual para todos. Um estudo publicado em 2026 no Journal of Interpersonal Violence investigou como o estilo de apego influencia o reconhecimento de sinais de violência por parceiro íntimo.

Homem pedindo uma mulher em casamento com o rosto muito sério A forma como uma pessoa interpreta sinais dentro de um relacionamento pode ser influenciada por experiências anteriores, expectativas e vínculos emocionaisFoto: Magnific/ND Mais

A pesquisa revelou que indivíduos com apego ansioso, caracterizados pelo medo do abandono e necessidade constante de validação, tendem a dar notas menores para comportamentos de controle e vigilância. Em outras palavras, eles têm maior dificuldade em classificar atitudes possessivas como sinais de alerta.

Por outro lado, o estudo mostrou que pessoas com apego evitativo, ou seja, que tendem a valorizar mais a independência e podem evitar vínculos emocionais muito intensos, podem perceber alguns sinais de alerta com mais facilidade como uma forma de proteger sua autonomia. Já outras pessoas podem ter mais dificuldade em reconhecer esses sinais, influenciadas por fatores emocionais, sociais e pelo desejo de preservar a relação. Especialistas reforçam que entender esses padrões de comportamento e de apego pode ajudar na identificação de relacionamentos abusivos.

A herança do trauma e o reforço intermitente

Para a psicoterapeuta Kaytlyn Gillis, a dificuldade em romper com ciclos prejudiciais muitas vezes reside na familiaridade. Sobreviventes de traumas familiares podem, inconscientemente, buscar parceiros que repliquem dinâmicas de infância, pois o cérebro interpreta o controle ou a instabilidade emocional como algo “normal”.

Casal discutindo em um restaurante Entender os próprios padrões de comportamento pode ser um caminho para construir relações mais saudáveisFoto: Magnific/ND Mais

Além disso, o mecanismo de reforço intermitente, quando o parceiro alterna momentos de carinho intenso com episódios de agressividade ou frieza, cria uma dependência química no cérebro. A espera pela próxima “fase boa” gera um vínculo traumático, tornando a saída da relação comparável à abstinência de uma substância.

Estudos publicados no Child Abuse & Neglect reforçam que o maltrato na infância é um fator de risco significativo para o desenvolvimento desses vínculos traumáticos na vida adulta.

Por que é difícil perceber os sinais de um parceiro tóxico?

Quanto mais uma pessoa investe em um relacionamento, seja tempo, sentimentos, dinheiro ou planos para o futuro, mais difícil pode ser aceitar que aquela relação não faz bem.

A psicologia chama esse mecanismo de “falácia do custo afundado”: a tendência de continuar em algo porque parece doloroso admitir que todo o esforço investido pode não ter valido a pena. No caso de pessoas públicas, esse processo pode ser ainda mais complexo devido ao medo do julgamento e da exposição.

Casal discutindo na sala Algumas decisões amorosas são influenciadas não apenas pelo presente, mas também pela história construída ao longo da relaçãoFoto: Magnific/ND Mais

Estudos como o da pesquisadora Zsófia Csajbók mostram que comportamentos como agressividade e falta de envolvimento emocional estão entre os principais motivos que levam ao fim de relacionamentos duradouros. Porém, quando esses sinais aparecem aos poucos, a pessoa pode acabar se acostumando com a situação e não perceber imediatamente que está vivendo uma dinâmica prejudicial.

Como romper o ciclo de um relacionamento tóxico?

O reconhecimento de que se está em uma relação prejudicial é o primeiro e mais difícil passo. Especialistas recomendam a observação de padrões repetitivos de controle e a perda da autonomia pessoal. Para aqueles que se sentem presos em dinâmicas destrutivas, é muito importante buscar apoio externo.

Entender sobre relacionamentos abusivos e o ciclo de violência pode oferecer o suporte necessário para a reestruturação da identidade e a proteção dos direitos individuais e familiares.

Leia mais

  • Psicóloga explica como identificar um relacionamento tóxico

Leandra da Luz

Leandra da Luz Repórter

Leandra da Luz é repórter do ND Mais e escreve sobre moda e beleza, destacando looks, peças de roupa, cores, inspirações e as principais tendências de estilo e comportamento. Formada em Jornalismo pela Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina), atua na área desde 2023 e acompanha o universo das celebridades, o que vestem e as roupas marcantes, além do que molda o estilo contemporâneo. Seu interesse por costura, tecidos e artes manuais, especialmente o tricô, contribui para um olhar atento aos processos criativos, acabamento e qualidade. Une repertório estético e análise de comportamento ao assinar matérias leves e relevantes, destinadas tanto aos aficionados pelo mundo fashion quanto aos leigos. Leia mais ▾

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