Veja o que mudou desde que o Brasil conquistou o título de pentacampeão na Copa de 2002Foto: Montagem/Canva/ND
O ano era 2002. Enquanto as TVs de tubo transmitiam a Seleção Brasileira conquistando o pentacampeonato mundial na Copa do Mundo, a capital catarinense vivia uma realidade urbana, demográfica e tecnológica completamente diferente da atual.
Hoje consagrada como um dos metros quadrados mais valorizados do país, a Florianópolis no início do século era bem menor e mantinha um ritmo mais tranquilo.
Abaixo, veja como era o cotidiano da cidade no ano do Penta e quais foram as grandes obras e construções que mudaram para sempre o desenho urbano nas últimas duas décadas:
Receba no WhatsApp as principais notícias do mundo esportivo Entre no grupo
1. Crescimento populacional
Em 2002, quem caminhava pelas ruas da cidade compartilhava o espaço com pouco mais de 342 mil habitantes, com base em dados do Censo do IBGE de 2000. O crescimento que viria nas duas décadas seguintes foi estrondoso: a estimativa populacional para o ano de 2025 já passa dos 587 mil moradores, o que representa quase dois terços a mais de pessoas povoando a Ilha e o Continente.
Na região metropolitana de Florianópolis, população já passa de um milhão de habitantesFoto: Flávio Tin/ND
2. Onde hoje é asfalto, ainda era mar
A paisagem da cidade mudou drasticamente. Um dos maiores exemplos dessa transformação está na porção continental: a Beira-Mar Continental simplesmente não existia. No lugar onde motoristas e ciclistas utilizam hoje as seis faixas de rodagem e a ciclovia, a água do mar ainda batia na costa. A avenida que hoje serve de lazer e desafogo para o trânsito só seria inaugurada dez anos mais tarde, em 2012.
Beira-mar continental, no EstreitoFoto: Anderson Coelho/Arquivo/ND
3. Mobilidade limitada e Ponte Hercílio Luz fechada
A conexão entre a Ilha e o Continente naquele ano dependia exclusivamente de apenas duas pontes: a Colombo Salles e a Pedro Ivo. O maior símbolo da cidade, a Ponte Hercílio Luz, embora estivesse de pé, completava mais de uma década totalmente interditada. A reabertura e a icônica iluminação cênica que hoje encantam os moradores na Hercílio Luz só aconteceriam em dezembro de 2019, após longos 28 anos de fechamento.
-
1 de 2
Ponte Hercílio Luz estava fora de funcionamento na época – Andy Puerari/PMF
-
2 de 2
Pontes Colombo Salles e Pedro Ivo eram únicos acessos à ilha – Germano Rorato/ND
4. Desembarque era realizado no terminal antigo do aeroporto
Para quem chegava à cidade em 2002, a recepção era feita no terminal de passageiros do Aeroporto Internacional Hercílio Luz construído nos anos 1970. Com capacidade para atender apenas dois milhões de passageiros por ano, ele operava no limite de sua estrutura. O atual e moderno aeroporto, projetado para acolher quase cinco milhões de viajantes anualmente, só seria inaugurado em 2019.
Antigo terminal do aeroporto de FlorianópolisFoto: Senge-sc/Divulgação/ND
5. Contorno Viário da Grande Florianópolis
Considerada uma das maiores obras de infraestrutura terrestre da América Latina, o Contorno Viário conta com cerca de 50 km de extensão, túneis, pontes e trevos projetados para desviar o tráfego pesado de caminhões da BR-101. No ano do pentacampeonato, a obra sequer havia começado, e motoristas da capital sofriam diariamente com o trânsito pesado dividindo as mesmas vias urbanas.
Contorno Viário da Grande Florianópolis Foto: Reprodução/ND Mais
7. Duplicação da SC-401 e Sapiens Parque
A rodovia SC-401, principal acesso às praias do Norte (como Jurerê e Ingleses), era uma estrada muito mais simples e perigosa em 2002. Ao longo dos anos, ela passou por processos cruciais de duplicação, ganhando terceiras faixas, viadutos e passarelas. Além disso, a região ganhou o Sapiens Parque no Norte da Ilha, um robusto polo planejado voltado à inovação e tecnologia que impulsionou o codinome da cidade como o “Vale do Silício” brasileiro.
-
1 de 2
SC-401 ao Norte da Ilha – Governo de Santa Catarina/SECOM/Divulgação/ND
-
2 de 2
Sapiens Parque, no Norte da Ilha, é um espaço de inovação que abriga empreendimentos e projetos focados no desenvolvimento de toda a região – Divulgação/ND
8. Surgimento de novos bairros
Recentemente, a capital catarinense redesenhou sua geografia oficial, saltando de 26 para 56 bairros. Na prática, a cidade “dobrou” sua organização administrativa para espelhar o que os moradores já vivenciam na rotina.
Na região Norte foi uma das que mais ganhou contornos oficiais. Antes, localidades como Praia Brava, Ponta das Canas e Vargem Grande estavam diluídas dentro do distrito de Cachoeira do Bom Jesus. Agora, elas ganham autonomia no mapa.
No Sul e no Leste da Ilha, o sentimento de pertencimento das comunidades foi o guia para as novas delimitações. O Campeche, por exemplo, que tecnicamente era um distrito que englobava diversas áreas, agora vê o Rio Tavares e o Morro das Pedras como bairros vizinhos e independentes.
Muitos dos que hoje frequentam as novas e modernas estruturas da cidade mal conseguem imaginar que a Florianópolis do Pentacampeonato guardava um ritmo muito mais desacelerado, uma população menor e uma geografia que o tempo e o desenvolvimento transformaram para sempre.
Campeche passou a ser reconhecido como bairroFoto: Allan Carvalho/PMF

