A morte de Débora Dambros, de 24 anos, inicialmente teria sido tratada como um acidente de trânsito na SC-283.Foto: Montagem/ND Mais
A morte de Débora Ester de Bizi Dambros, de 24 anos, inicialmente tratada como um acidente de trânsito na SC-283, em São Carlos, no Oeste de Santa Catarina, teve uma reviravolta após a investigação da Polícia Civil apontar que a queda do veículo no Rio Barra Grande teria sido uma tentativa de ocultar um feminicídio.
O caso envolve a prisão do marido da vítima, de 30 anos, e do sogro dela, de 53 anos, suspeitos de participação na morte e na simulação do acidente. Segundo a polícia, o crime teria sido planejado após o fim do relacionamento do casal.
A queda acidental que levantou suspeitas
Na tarde de 21 de julho, equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas após um Fiat Doblò vermelho ser encontrado parcialmente submerso no Rio Barra Grande, na SC-283, entre São Carlos e Palmitos.
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O veículo estava com as quatro rodas para baixo e, durante as buscas, os socorristas encontraram uma mulher às margens do rio, embaixo da ponte. A vítima foi identificada como Débora Dambros.
Segundo os bombeiros, ela apresentava politraumatismos e já não possuía sinais vitais. As equipes fizeram buscas no interior do carro e nas proximidades, mas não encontraram outras vítimas.
Naquele momento, a suspeita inicial era de uma queda acidental da ponte.
Quem era Débora Dambros, jovem de 24 anos
Débora tinha 24 anos e era mãe de dois filhos: Helena, de 8 anos, e André Henrique, que completaria 3 anos em setembro.
Moradora de Xaxim, no Oeste catarinense, ela mantinha um relacionamento de cerca de 12 anos com Welton André, com quem ainda dividia a residência.
Após a confirmação da morte, familiares e amigos prestaram homenagens nas redes sociais.
O marido publicou uma mensagem de despedida chamando Débora de “meu bem mais precioso” e afirmou que desejava reencontrá-la em outra vida.
Após a confirmação da morte, familiares e amigos prestaram homenagens nas redes sociais.Foto: Montagem/ND Mais
A investigação que mudou o rumo do caso
Durante a apuração, a Polícia Civil identificou elementos que contradiziam a versão de acidente.
Segundo os investigadores, os laudos periciais indicaram que a vítima já estava morta antes da queda do veículo no rio. As lesões encontradas no corpo também não seriam compatíveis com um acidente de trânsito.
A investigação apontou que o crime teria ocorrido dentro da casa da família, em Xaxim, no dia 20 de julho, por volta das 18h.
Como teria ocorrido o crime, segundo a polícia
Conforme a Polícia Civil, o marido de Débora teria confessado que matou a esposa por asfixia, utilizando um golpe conhecido como “mata-leão”.
O crime teria acontecido enquanto os dois filhos do casal estavam dentro da residência.
Segundo os investigadores, durante a agressão, Débora teria chamado por um dos filhos, mas o suspeito teria impedido que a criança saísse do quarto.
Depois da morte da esposa, ele teria levado as crianças para a casa do avô e retornado para iniciar a tentativa de ocultação do crime.
A simulação da queda do veículo na ponte da SC-283
Para esconder o feminicídio, a Polícia Civil afirma que o marido contou com a ajuda do próprio pai.
Segundo a investigação, o corpo de Débora foi colocado no banco do passageiro de uma Fiat Doblò e levado por cerca de 70 quilômetros até a Ponte do Rio Barra Grande, em São Carlos.
O pai do suspeito teria acompanhado o trajeto em outro veículo.
A polícia afirma que o local foi escolhido porque a ponte estava sem a proteção lateral após um acidente anterior e não possuía sinal de celular.
O veículo teria sido lançado no rio para tentar simular uma queda acidental.
Um carro vermelho foi encontrado submerso no Rio Barra Grande, na SC-283, entre São Carlos e Palmitos.Foto: Bombeiros Militar de Santa Catarina/ND Mais
Mensagens falsas e boletim de desaparecimento
A investigação apontou que o marido tentou criar uma falsa narrativa após a morte da esposa.
Segundo a Polícia Civil, ele teria usado o celular de Débora para enviar mensagens fingindo que ela ainda estava viva.
Nas conversas, a vítima teria supostamente informado que estava indo encontrar uma pessoa de outro estado, mas que o carro apresentava problemas e a bateria estava acabando.
No dia seguinte, antes da localização do corpo, o homem também registrou um boletim de ocorrência relatando o desaparecimento da esposa.
De acordo com a polícia, ele teria alegado que Débora havia saído de casa por causa de um suposto relacionamento extraconjugal.
A investigação apontou que o marido tentou criar uma falsa narrativa após a morte de Débora Dambros.Foto: Montagem/ND Mais
Carta e plano envolvendo os filhos do casal
Durante a investigação, a Polícia Civil encontrou uma carta deixada pelo suspeito aos pais.
Segundo os investigadores, o documento indicava que ele pretendia matar os dois filhos do casal, de 2 e 8 anos, e depois tirar a própria vida.
A polícia informou que agiu rapidamente após receber informações sobre esse possível plano.
As crianças foram retiradas da situação de risco e passaram a ficar sob os cuidados da família materna.
A Polícia Civil encontrou uma carta deixada pelo suspeito aos pais, indicando que iria matar os dois filhos do casal.Foto: Polícia Civil/ND Mais
Prisão do marido e do sogro marcou a reviravolta do caso
No dia 31 de julho, a Polícia Civil cumpriu mandados de prisão preventiva contra o marido de Débora e o pai dele.
A ação envolveu equipes das delegacias de São Carlos, Cunhataí, Chapecó e Xaxim.
Segundo a investigação, o marido deve responder por:
- feminicídio;
- ocultação de cadáver;
- fraude processual.
Já o sogro deve responder pela participação na ocultação do corpo e na tentativa de simular o acidente.

