Corrida imobiliária: cidade de SC vê 40% dos imóveis ‘sumirem’ antes do anúncio das vendasFoto: Reprodução/ND Mais
Quase metade dos imóveis lançados em Itajaí já estão vendidos antes de qualquer anúncio oficial. O movimento, puxado por moradores da própria cidade, tem antecipado negociações e movimentado cerca de R$ 900 milhões longe da publicidade tradicional.
Em Itajaí, o mercado imobiliário parece funcionar em dois tempos distintos: antes e depois da divulgação.
Dados da NF Empreendimentos mostram que aproximadamente 40% das unidades comercializadas nos últimos dois anos foram reservadas ainda na fase interna, sem campanha, redes sociais ou evento de lançamento.
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Venda antecipada de imóveis muda a lógica do mercado imobiliário
O comportamento tem redesenhado a dinâmica dos lançamentos. Quando o empreendimento finalmente é apresentado ao público, uma parte significativa das unidades já está indisponível, criando sensação de escassez e pressionando compradores que aguardam o anúncio oficial.
“Os próprios itajaienses ficam atentos ao mercado e, ao avistarem qualquer movimento das incorporadoras, garantem suas unidades antes mesmo que o lançamento chegue ao público de fora”, afirma o diretor comercial da NF, André Pereira.
Segundo levantamento da DWV, apenas em 2025 o município movimentou cerca de R$ 2,2 bilhões em Valor Geral de Vendas.
Desse total, aproximadamente R$ 900 milhões correspondem aos 40% negociados de forma antecipada, no que o setor tem chamado de antecipação até mesmo à primeira da primeira mão.
Moradores lideram o movimento
O dado mais revelador está no perfil de quem compra: Cerca de 70% das vendas são realizadas para moradores da própria cidade, enquanto 30% envolvem clientes de outros Estados.
A projeção é que essa diferença diminua nos próximos cinco anos, podendo chegar a uma divisão equilibrada de 50% para cada grupo.
“Itajaí tem um mercado maduro, que se sustenta com a própria demanda local — e isso é raro no Brasil. No entanto, a projeção é que essa discrepância seja reduzida nos próximos cinco anos, podendo chegar a uma distribuição de 50/50”, acrescenta André.
“Cultura de upgrade” impulsiona lançamentos
A força da demanda interna está ligada a uma característica própria da cidade: a busca constante por evolução de moradia.
À medida que consolidam a vida financeira, muitos moradores trocam imóveis de padrão médio por unidades em regiões mais valorizadas, como o bairro Fazenda, áreas centrais e a Praia Brava.
Esse movimento cria um ciclo contínuo. Quem vende para subir de patamar libera estoque para novos compradores e, ao mesmo tempo, sustenta lançamentos de alto padrão.
“É um fluxo contínuo, sustentado por renda local, que reforça a solidez e a autonomia do mercado itajaiense”, pontua o diretor comercial da NF.
“É um movimento que vem de dentro. São pessoas que, além de conhecerem o ritmo da cidade e terem relacionamento direto com corretores e incorporadoras locais, sabem que o melhor momento para comprar é antes de todo mundo saber. Por isso, muitos compram só com o croqui na mão”, explica André.
Segundo levantamento da DWV, apenas em 2025 o município movimentou cerca de R$ 2,2 bilhões em Valor Geral de VendasFoto: Prefeitura de Itajaí/Divulgação/ND Mais
Metro quadrado entre os mais caros do Brasil
O aquecimento do setor também aparece nos indicadores nacionais. Em 2025, Itajaí encerrou o ano na quarta posição no ranking do metro quadrado mais caro do país, com valor médio de R$ 12.848 por metro quadrado, segundo o Índice FipeZAP.

