Dólar e ouro físico: metais e moeda estrangeira compõem estratégia de proteção patrimonial recomendada por especialistas para carteiras diversificadas.Foto: Reprodução/Instagram @ourominas/ND Mais
O interesse por ouro cresceu entre investidores brasileiros em um cenário marcado por incerteza fiscal, câmbio volátil e instabilidade nos mercados globais. Mas entre comprar uma barra física, aderir a um ETF ou entrar em um fundo atrelado ao metal, qual caminho faz mais sentido? E o que, de fato, determina o preço do ouro hoje?
Mauriciano Cavalcante, consultor da Ourominas, atuante no mercado de ouro físico no Brasil, responde essas perguntas e explica como estruturar o investimento com disciplina.
O que define o preço do ouro
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Antes de investir, é preciso entender o que move a cotação. O ouro é negociado internacionalmente em dólar e não paga juros, o que faz com que seu preço reaja com sensibilidade à política monetária americana.
“Quando o mercado acredita que os juros dos Estados Unidos podem cair ou permanecer pressionando menos os ativos de risco, o ouro tende a ganhar atratividade”, explica Cavalcante.
Para o investidor brasileiro, há ainda uma segunda variável: o câmbio. “A variação do dólar contra o real pode ampliar ou reduzir o retorno do ouro em moeda local”, diz o consultor.
Ou seja, o ganho ou a perda em reais depende de duas frentes simultâneas, a cotação do metal no mercado externo e o comportamento do dólar. Esse é, aliás, o erro mais comum de quem entra no mercado pela primeira vez.
“O investidor vê a cotação subir, acredita que está diante de uma oportunidade imediata e entra sem entender que o preço do ouro em reais depende de duas variáveis principais”, aponta Cavalcante.
Ouro físico ou ETF: qual a diferença real
Com plataformas digitais, hoje é possível comprar cotas de fundos ou ETFs atrelados ao ouro com um clique. A praticidade é real, mas o consultor aponta uma distinção fundamental, onde esses instrumentos oferecem exposição financeira ao preço do metal, não a posse direta dele.
Quem compra uma barra ou moeda de ouro adquire um ativo tangível, com peso, pureza, documentação e origem identificada. “A principal segurança do ouro físico está no fato de ele não depender do risco de crédito de uma instituição, do balanço de uma empresa ou da promessa de pagamento de um emissor”, afirma Cavalcante.
Esse perfil de comprador costuma ser o do investidor que busca preservação de patrimônio no longo prazo, como alguém que já tem renda fixa, ações e fundos, mas quer manter uma parcela da carteira em um ativo reconhecido globalmente e desvinculado de intermediários financeiros.
Custódia, seguro e liquidez
Uma das principais dúvidas de quem considera o ouro físico envolve a logística. O investidor não precisa guardar o metal em casa. O caminho mais seguro é a custódia profissional, com estrutura de armazenamento, controle, registro e possibilidade de seguro.
“Isso reduz o risco operacional e permite que o investidor tenha o metal devidamente identificado, documentado e protegido”, explica o consultor.
Na hora de vender, a liquidez depende diretamente da procedência. “Barras e moedas com origem comprovada, nota fiscal, pureza reconhecida e peso padronizado tendem a ter muito mais facilidade de negociação”, diz Cavalcante.
O processo envolve cotação, conferência, spread e liquidação, diferente da agilidade de um ETF vendido pelo home broker, mas previsível quando a compra foi feita com documentação adequada. O gargalo, segundo o consultor, “aparece quando o investidor compra ouro sem origem clara, sem certificação ou fora de padrões aceitos pelo mercado.”
Quanto alocar e com qual objetivo
Para o investidor pessoa física com carteira diversificada, Cavalcante sugere uma alocação moderada, geralmente entre 5% e 10%, ajustada ao perfil e ao horizonte de investimento. A função central do metal não é multiplicar patrimônio rapidamente.
“O papel mais importante do ouro é proteger parte da carteira em momentos de perda de previsibilidade, inflação, instabilidade cambial ou choque de confiança nos mercados”, define o consultor. Quando comprado como proteção e não como aposta de curto prazo, o ativo tende a cumprir melhor seu papel, independentemente de estar ou não em alta no mês.

