Centro de tortura da ditadura estava fechado há mais de 30 anos, mas pesquisadora de Blumenau encontra vestígios compatíveis com sangue humanoFoto: Arquivo pessoal/ND Mais
Uma tecnologia desenvolvida por uma pesquisadora da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), em Blumenau, ajudou a identificar vestígios biológicos compatíveis com sangue humano em um dos principais centros de repressão, tortura e interrogatório do Brasil durante a ditadura no regime militar.
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A equipe tentou extrair DNA das amostras. No entanto, a degradação do material impediu a identificação das possíveis vítimas. – Arquivo pessoal/ND Mais
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Em uma das buscas realizadas no prédio, foi utilizado um georadar para verificar o piso mais antigo e identificar se ele ainda correspondia ao período em que o ambiente era utilizado. – Arquivo pessoal/ND Mais
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A primeira ida das pesquisadoras ao local ocorreu em agosto de 2023. A equipe foi sem grandes expectativas, principalmente porque o prédio estava fechado havia mais de 30 anos. – Arquivo pessoal/ND Mais
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Primeira busca ocorreu em 2023 – Arquivo pessoal/ND Mais
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Detalhes do prédio analisado – Arquivo pessoal/ND Mais
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Detalhes do prédio analisado – Arquivo pessoal/ND Mais
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A ampliação da coleta foi importante porque encontrar um vestígio em apenas um ponto não permite relacioná-lo diretamente aos acontecimentos ocorridos naquele ambiente. – Arquivo pessoal/ND Maissadora de blumenau 2026-08-28 às 15.02.23
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Centro de tortura da ditadura estava fechado há mais de 30 anos, mas pesquisadora de Blumenau encontra vestígios compatíveis com sangue humano – Arquivo pessoal/ND Mais
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Segundo Maria, os pesquisadores buscaram ambientes que poderiam ter sido utilizados como sala de interrogatório ou enfermaria. – Arquivo pessoal/ND Mais
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Ao final da análise, segundo Maria, é possível afirmar que foram encontrados elementos que indicam que houve sangue naquele local há cerca de 30 anos. – Arquivo pessoal/ND Mais
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Uma delas é a análise física, que utiliza luzes especiais, espectroscópios e outros sistemas. – pesquisadora de blumenau 2026-08-28 às 15.02.54
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O trabalho reúne universidades e pesquisadores de diferentes partes do país e utiliza diferentes tecnologias para analisar o local. – Heron Barros/NDTV/ND Mais
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Foi durante uma conversa com uma professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), no congresso, que surgiu a possibilidade de utilizar a tecnologia para rastrear vestígios biológicos. – Heron Barros/NDTV/ND Mais
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Para a pesquisadora, uma das principais contribuições do trabalho é permitir que acontecimentos relatados por pessoas que passaram pelo local também possam ser analisados por meio de evidências materiais. – Heron Barros/NDTV/ND Mais
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As amostras que poderiam conter vestígios de sangue humano foram levadas para o laboratório da UFSC em Blumenau. – Arquivo pessoal/ND Mais
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Os métodos utilizados, porém, eram capazes de rastrear os vestígios, mas não de confirmar sozinhos a origem do material. Por isso, foi necessária uma análise mais detalhada. – Heron Barros/NDTV/ND Mais
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A partir da conversa, as pesquisadoras começaram a testar a possibilidade. Posteriormente, a professora da Unifesp contou a Maria que participava de um projeto relacionado ao local e propôs que a tecnologia fosse levada para lá. – Heron Barros/NDTV/ND Mais
O trabalho científico busca transformar em evidências materiais parte das histórias e testemunhos relacionados ao local.
Maria Hertel, professora de Física da UFSC, participou do estudo utilizando um protótipo desenvolvido por ela com luzes especiais capazes de detectar vestígios.
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No prédio onde funcionava o Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), em São Paulo. No local, várias pessoas foram vítimas de tortura durante a ditadura militar.
A tecnologia, que pode ser utilizada inclusive com o auxílio de um celular, havia sido premiada em um congresso internacional antes de ser aplicada na investigação.
A parceria começou após uma conversa com uma professora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), durante o congresso. A partir da possibilidade de rastrear vestígios biológicos, as pesquisadoras passaram a testar a tecnologia em conjunto.
O primeiro trabalho de campo ocorreu em agosto de 2023. Segundo Maria, a equipe chegou ao local sem grandes expectativas, já que o prédio estava fechado havia mais de 30 anos.
Mesmo assim, foram encontrados sinais que poderiam estar relacionados a moléculas presentes no sangue humano. Em conversa com colegas, a dúvida foi levantada.
“Será que a gente não conseguiria talvez rastrear algum vestígio biológico? Eu acho que sim, vamos testar”, contou a pesquisadora sobre o início da parceria.
Tecnologia ajudou a encontrar vestígios décadas depois
Os primeiros métodos utilizados pelas pesquisadoras eram capazes de indicar a presença de determinados compostos, mas não permitiam confirmar sozinhos que se tratava de sangue humano.
Por isso, o trabalho continuou com diferentes técnicas de análise. As pesquisadoras também utilizaram luminol, método conhecido por revelar possíveis vestígios de sangue, além de equipamentos desenvolvidos para a pesquisa.
Uma nova etapa da investigação foi feita posteriormente, com a coleta de mais amostras em diferentes pontos do prédio.
A ampliação da busca foi importante porque a identificação de um único vestígio não permite estabelecer, por si só, o que aconteceu naquele ambiente.
“Um lugar não significa que eu consigo ligar os eventos que ocorreram naquele local”, explicou Maria.
A ideia é verificar se compostos semelhantes aparecem em diferentes ambientes. Dessa forma, os pesquisadores podem avaliar se o resultado encontrado inicialmente é isolado ou faz parte de um conjunto maior de evidências.
Amostras foram levadas para laboratório em Blumenau
Os métodos utilizados, porém, eram capazes de rastrear os vestígios, mas não de confirmar sozinhos a origem do material. Por isso, foi necessária uma análise mais detalhada.Foto: Heron Barros/NDTV/ND Mais
Depois das coletas, parte das amostras foi encaminhada ao laboratório da UFSC em Blumenau. Os pesquisadores utilizam diferentes técnicas para tentar confirmar a natureza dos compostos encontrados.
Entre os procedimentos estão análises físicas com luzes especiais e espectroscopia, além de análises de fluorescência e testes químicos.
A fluorescência permite observar a resposta de uma amostra quando é submetida à luz e identificar determinados picos associados a compostos específicos. Entre os elementos procurados está a hemoglobina, proteína presente nas células vermelhas do sangue.
Os testes químicos são utilizados como uma etapa complementar para dar suporte aos resultados obtidos pelas demais técnicas.
DNA não permitiu identificar possíveis vítimas
Em uma das buscas realizadas no prédio, foi utilizado um georadar para verificar o piso mais antigo e identificar se ele ainda correspondia ao período em que o ambiente era utilizado.Foto: Arquivo pessoal/ND Mais
Apesar das tentativas de extrair DNA das amostras, a degradação do material ao longo das décadas impediu que os pesquisadores identificassem possíveis vítimas.
Mesmo sem conseguir chegar à identidade de quem teria deixado os vestígios, o trabalho representa um avanço na busca por evidências materiais relacionadas ao período de repressão.
Para Maria, a importância da pesquisa está justamente em conseguir complementar os testemunhos históricos com evidências científicas.
A tecnologia atual permite realizar análises que não seriam possíveis décadas atrás e investigar materiais que permaneceram no ambiente por muitos anos.
Pesquisa ajuda a preservar memória do período
A pesquisadora explicou que o estudo também envolveu outras tecnologias. Em uma das etapas, por exemplo, foi utilizado georradar para analisar o piso antigo do prédio e verificar quais estruturas poderiam ainda corresponder aos ambientes utilizados durante o período de funcionamento do centro.
A preocupação é localizar áreas que possam preservar características da época em que determinados espaços eram usados como salas de interrogatório ou enfermarias.
Para a pesquisadora, o trabalho científico contribui para preservar uma história que não deve ser esquecida.
“Foi muito legal a gente poder analisar ele de uma forma científica, entrar lá e fazer todos os procedimentos, conseguir fazer metodologicamente correto para chegar em conclusões que a gente hoje consegue, por exemplo, dizer que sim, a gente encontrou algo que indica que houve sangue naquele local há 30 anos”, afirmou Maria.
Segundo ela, a pesquisa permite chegar a uma conclusão que, décadas atrás, seria muito mais difícil de obter: há evidências materiais que indicam a presença de sangue naquele local.
O estudo reúne pesquisadores de diferentes instituições e áreas e mostra como novas tecnologias podem contribuir para investigações históricas, inclusive em locais que permaneceram fechados por décadas.

