Alice Kienen Blumenau
Ana Frank, a Bruxa do Vorstadt, voltou a ser assunto nas redesFoto: Arquivo Histórico José Ferreira da Silva/ND Mais
Você sabia que Blumenau já contou com a própria “bruxa”? A lenda urbana em torno da imigrante alemã Ana Frank voltou a ser debate nas redes sociais após o Arquivo Histórico José Ferreira da Silva relembrar o caso para falar da cultura oral da cidade.
Dentre os rumores envolvendo a moradora, havia a ideia de que ela dormiria dentro do próprio caixão e possuía poderes misteriosos, causando medo e espanto entre a comunidade e dando origem à lenda.
Entretanto, os registros mostram que Ana era uma habilidosa bordadeira, costureira e pianista, além de trabalhar como professora. Ela veio para Blumenau ainda na juventude, no século XIX, acompanhada da família.
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Após se casar, Ana foi viver em uma casa no bairro Vorstadt, ao lado do então hospital municipal, cercada por uma cerca-viva densa e sem poda. O portão era delimitado por um arco que dava acesso ao jardim do casal.
Rua Itajaí, no bairro Vorstadt, em Blumenau, no século XIXFoto: Arquivo Histórico José Ferreira da Silva/ND Mais
Ela perdeu o esposo cedo, quando ainda estava grávida. Já o filho, que viveu o suficiente para noivar, morreu de tuberculose antes da partida da mãe. Ambos levavam o mesmo nome: Rodolfo. Desde então, Ana era vista com frequência no cemitério da Igreja Católica e passou a se isolar na residência.
Foi essa solidão que iniciou os rumores no Vorstadt. Ana passou a ser vista como uma “bruxa” e passaram a espalhar o boato de que ela matava gatos na vizinhança. Até mesmo seu sobrenome foi alterado na lenda, já que inventaram a alcunha “Von Frankenstein” para a vizinha.
“Bruxa de Blumenau” era apenas uma mãe e viúva enlutada
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Rodolfo Bogado, filho da imigrante, morreu de tuberculose antes do casamento – Arquivo Histórico José Ferreira da Silva/ND Mais
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Foto de Ana Frank feita em Berlim, na juventude – Arquivo Histórico José Ferreira da Silva/ND Mais
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Registro de Ana Frank na velhice – Arquivo Histórico José Ferreira da Silva/ND Mais
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Ana Frank, a Bruxa do Vorstadt, voltou a ser assunto nas redes – Arquivo Histórico José Ferreira da Silva/ND Mais
Entretanto, nenhum boato se baseia em evidências ou registros da época. O imaginário popular provavelmente criou essas teorias ao notar o isolamento da imigrante, causado pela saudade dos dois Rodolfos.
Ana viveu até 1923 e, com sua partida, a cultura oral de usar a personagem como lenda para assustar as crianças só cresceu, com mais “detalhes” nascendo ao longo das gerações.
“O mais inquietante é perceber como uma mulher solitária, enlutada e diferente dos padrões de seu tempo pôde ser transformada em uma personagem assustadora”, ressaltou a historiadora Mirela Adriana Nolasco, responsável por retomar a fama da “bruxa”.

Alice Kienen
Alice Kienen é jornalista formada pela Furb (Universidade Regional de Blumenau) e escreve para o portal ND Mais, onde acompanha assuntos pertinentes para os moradores do Vale do Itajaí, incluindo as cidades de Blumenau, Pomerode, Indaial e Gaspar. Trabalha na área desde 2018 e já atuou com reportagens especiais envolvendo educação, sustentabilidade, desenvolvimento econômico e patrimônio histórico. Sua trajetória também inclui experiência como assessora de imprensa, criadora de conteúdo, social media e pesquisa na área de Educomunicação. Leia mais ▾
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