Giorgio Guedin Florianópolis
William Masuda, conhecido como Kabuto, momentos antes de sofrer o golpe proibidoFoto: Reprodução Redes Sociais/ND Mais
O atleta de jiu-jítsu William Hiroyuki Masuda, conhecido como Kabuto, sofreu uma grave lesão na coluna cervical após ser atingido por um golpe proibido durante uma competição em Londrina, no Paraná. O lutador precisou passar por uma cirurgia de emergência e permanece em recuperação, mas há risco de paralisia.
Kabuto enfrentava, no último sábado (22) o também faixa-preta Juliano Di Pelli Machado durante uma luta de No-Gi do campeonato Super Pro Jiu-Jitsu, realizado no ginásio Moringão. Durante o combate, Juliano levantou o adversário e aplicou um movimento conhecido como “bate-estaca”, proibido pelas regras da modalidade.
A sequência deixou Kabuto com uma lesão grave na região cervical. Segundo o R7, o atleta permanece internado e sedado, sem conseguir movimentar as pernas.
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A organização do evento informou que prestou atendimento imediato ao lutador e que acompanha o caso junto à família. Kabuto foi encaminhado para atendimento médico e passou por uma cirurgia na coluna.
O que é o “bate-estaca”
O bate-estaca (ou slam) no jiu-jitsu é um movimento em que um lutador levanta o oponente do chão — frequentemente quando está preso em uma guarda fechada, triângulo ou chave de braço — e o arremessa com força contra o tatame na tentativa de escapar da posição.
Devido ao altíssimo risco de causar lesões graves na coluna cervical ou na cabeça do adversário, o golpe é estritamente proibido e resulta em desclassificação imediata na grande maioria das competições de jiu-jitsu esportivo (como as regras da IBJJF), sendo um movimento permitido e visto com mais frequência apenas em lutas de MMA.
Veja reportagem da RECORD TV
O promotor de Justiça Renato de Lima Castro apresentou uma notícia-crime à Polícia Civil e pediu a abertura de investigação. Ele aponta a possibilidade de lesão corporal de natureza gravíssima com dolo eventual.
Segundo o promotor, o movimento realizado por Juliano não deveria ser considerado apenas uma conduta imprudente, já que se trataria de um golpe proibido e com risco conhecido de provocar lesões graves.
Atleta de jiu-jítsu sofreu lesão cervical após movimento proibido durante competição em LondrinaFoto: Reprodução Redes Sociais/ND Mais
A investigação deverá analisar as circunstâncias da luta, as imagens do episódio, a extensão dos ferimentos e a possibilidade de sequelas permanentes. A atuação da arbitragem também poderá ser avaliada.
O árbitro interrompeu a luta e desclassificou Juliano após identificar o movimento. De acordo com o promotor, porém, não há, neste momento, elementos que indiquem responsabilidade do árbitro pelo episódio.
Defesa diz que aguarda laudos
Segundo o R7, a defesa de Juliano Di Pelli Machado informou que só irá se manifestar após a conclusão dos laudos técnicos sobre o caso.
Os documentos deverão ajudar a esclarecer a extensão da lesão sofrida por Kabuto e as circunstâncias que levaram ao ferimento durante a luta.
Vaquinha para recuperação
Família e amigos de Kabuto criaram uma vaquinha para ajudar a custear o tratamento e a recuperação do atletaFoto: Divulgação Vakinha/ND Mais
Após o acidente, amigos e familiares criaram uma campanha para arrecadar recursos destinados ao tratamento de Kabuto. A vaquinha foi aberta no dia 25 de agosto e estabelece uma meta de R$ 650 mil.
Segundo a descrição da campanha, o dinheiro será utilizado para despesas médicas e hospitalares, medicamentos, fisioterapia, cuidados domiciliares, equipamentos, adaptações e outras necessidades relacionadas à recuperação.
Até a publicação desta matéria, a campanha havia arrecadado R$ 323 mil, com mais de 4,2 mil apoiadores.
Kabuto é professor de jiu-jítsu e, segundo os responsáveis pela campanha, dedicou grande parte da vida à modalidade. O pedido de ajuda destaca que a recuperação deverá exigir acompanhamento médico, fisioterapia e uma estrutura de cuidados por longo período.
*Com informações do R7 e Folha de Londrina.

Giorgio Guedin
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