A campanha oficial para 2026 ainda nem começou oficialmente, mas já é marcada por momentos de tensão e escândalos que podem mudar o rumo das candidaturasFoto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A campanha oficial para as Eleições 2026 ainda nem começou, mas já é marcada por escândalos e polêmicas envolvendo pré-candidatos ao Planalto.
Áudios vazados, investigações, embates institucionais, desaprovação e episódios de desgaste público já atingiram figuras que disputam a corrida prresidencial e podem voltar ao centro do debate político conforme a corrida pelo Palácio do Planalto ganha forma.
Na política brasileira, crises raramente desaparecem completamente. Muitas reaparecem em momentos estratégicos, impulsionadas por adversários ou por novos fatos. O histórico recente de alguns dos nomes mencionados para 2026 mostra onde podem estar as maiores vulnerabilidades.
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Flávio Bolsonaro: do caso Queiroz ao áudio com Daniel Vorcaro
Entre os nomes ligados ao campo conservador, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já enfrenta momentos tensos, com desgastes antigos e recentes.
Um dos episódios mais conhecidos envolve a investigação sobre um suposto esquema de rachadinha ligado ao ex-assessor Fabrício Queiroz durante o período em que Flávio atuava como deputado estadual no Rio de Janeiro.
O caso gerou anos de repercussão política e judicial, embora decisões posteriores tenham alterado o rumo de parte das investigações.
Mais recentemente, o senador voltou ao centro do noticiário após repercussão envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e pedidos relacionados à produção do filme Dark Horse sobre Jair Bolsonaro. O episódio foi explorado politicamente por críticos e principalmente pela esquerda, e reacendeu discussões sobre relações entre política e financiamento.
A principal dúvida é se o caso permanecerá restrito ao ciclo atual de notícias ou se poderá ganhar peso eleitoral em eventual campanha, com vazamento de novos episódios. Após os áudios em que Flávio apareceu pedindo dinheiro para o banqueiro, integrantes do próprio PL criticaram o senador, e nos bastidores, houve quem defendesse até a substituição da candidatura.
Delatores teriam delatado a suposta participação do filho do presidente na estrutura que operava a “fraude do INSS”Foto: Divulgação/UOL News/ND Mais
Lula: desaprovação, INSS e episódios que ampliaram pressão política sobre o governo
No caso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pré-candidato à reeleição, os principais pontos de desgaste tem aparecido nos índices de desaprovação do governo e na percepção da população sobre os rumos da economia.
Em períodos pré-eleitorais, oscilações nesses indicadores frequentemente entram no cálculo político antes mesmo da abertura oficial da disputa, que ainda precisa passar pelas convenções partidárias e o lançamento oficial das candidaturas.
Mas episódios recentes também ampliaram o ambiente de pressão sobre o Planalto e especialmente sobre o atual presidente.
Entre eles está a fraude bilionária no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), caso usado por adversários para associar falhas administrativas ao governo federal e cobrar responsabilizações políticas.
Embora as investigações tenham como foco o esquema envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários, o episódio passou a integrar disputas mais amplas sobre fiscalização, eficiência da máquina pública e responsabilidade institucional.
Durante a CPMI do INSS, encerrada no Congresso Nacional sem a aprovação de um relatório, parlamentares passaram a citar o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, após investigações da Polícia Federal apontarem contatos e viagens dele com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca, apontado como operador central do esquema de fraudes em descontos indevidos de aposentados.
A oposição elevou o tom após a CPMI aprovar a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Lulinha. Parlamentares afirmaram na ocasião que a comissão precisava esclarecer suspeitas de pagamentos indiretos, possíveis relações comerciais e a ligação de Lulinha com o caso.
Já governistas e a defesa de Lulinha afirmaram que não havia prova da participação dele nas fraudes do INSS. A defesa reconheceu que ele viajou para Portugal com o Careca do INSS em 2024, mas afirmou que o encontro estava relacionado a discussões sobre investimentos no setor de cannabis medicinal, sem qualquer relação com o esquema investigado.
FRAME – A aprovação do requerimento que pediu a quebra de sigilo de Lulinha desencadeou um intenso bate-boca e troca de acusações entre parlamentares da base governista e da oposiçãoFoto: confusao-cpmi-do-inss
Outro caso que ganhou repercussão foi a confirmação, pelo próprio Lula, de um encontro no Palácio do Planalto com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo o presidente, a reunião ocorreu após pedido do ex-ministro Guido Mantega e incluiu discussões relacionadas ao setor financeiro.
À época, Lula afirmou que recebe representantes de diferentes instituições financeiras e declarou ter garantido que eventuais análises envolvendo o Banco Master seriam conduzidas de forma técnica pelos órgãos responsáveis, sem interferência política.
O encontro voltou ao debate após o avanço de investigações envolvendo Vorcaro e o Banco Master, passando a ser citado por críticos do governo como episódio de potencial desgaste político.
Além disso, oscilações nos índices de aprovação presidencial seguem entre os fatores observados por aliados e adversários como possíveis influenciadores do ambiente eleitoral rumo a 2026.
‘Não tenho rabo preso’: Zema ataca STF e cita Banco MasterFoto: Instagram/Reprodução/ND Mais
Zema: embates com o STF e cobranças sobre gestão
Já o ex-governador Romeu Zema (Novo-MG) tem atraído os holofotes da política nacional com críticas frequentes ao Supremo Tribunal Federal (STF) e polêmicas e alfinetadas via redes sociais com o decano da Corte, Gilmar Mendes.
Após uma série batizada de Os Intocáveis, divulgada na internet, Zema chegou a ser incluído em pedidos ligados ao inquérito das fake news, aberto em 2019 pelo Supremo Tribunal Federal. Zema também não poupou críticas ao adversário político Flávio Bolsonaro, após os áudios vazados entre o senador e o controlador do Banco Master.
Além do embate institucional, críticas sobre a condução de crises em Minas Gerais também geraram desgaste público, incluindo cobranças feitas durante episódios relacionados às enchentes no estado.
Antes de deixar o comando de Minas, Zema esteve em Ubá, na Zona da Mata mineira, atingida pelas fortes chuvas, e foi alfinetado por uma moradora. “Não adianta vir limpinho e não ajudar”, disparou a moradora.
Para aliados, o perfil confrontador de Zema fortalece a imagem de oposição ao sistema. Para críticos, amplia riscos de desgaste nacional.
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O próximo escândalo dos candidatos de 2026 pode vir do passado?
A experiência eleitoral brasileira mostra que crises raramente desaparecem completamente. Ao contrário, em muitos casos, episódios antigos retornam ao debate em momentos estratégicos da campanha, impulsionados por adversários ou por novos fatos.
Por isso, mais do que prever o próximo escândalo, o desafio para os nomes cotados à Presidência pode ser administrar temas que já provocaram desgaste antes mesmo da largada oficial para 2026.

