Futevôlei é um dos esportes em ascensão em Florianópolis Foto: ALAN PEDRO/ND
O futevôlei é um esporte que vai muito além de uma união entre futebol e vôlei. Para alguns, é um passatempo na praia, para outros, um verdadeiro desafio que desencadeou a competitividade e buscar viver disso. Para quem já jogou, talvez já saiba o motivo da prática ser um fenômeno não apenas em Florianópolis, mas no Brasil inteiro. Aos que nunca jogaram, existe uma dúvida: qual a razão da popularidade que está tendo essa modalidade?
Se você vai a alguma praia da capital catarinense, dificilmente deixará de ver a tradicional “altinha” ou a prática de um esporte com os pés. Aliás, é mais adequado dizer “sem as mãos”, pois modalidades como essas utilizam técnicas com cabeça, ombro e peitoral.
Além de hobby de verão, o futevôlei virou sinônimo de competitividade e desafio para muitos. Alguns praticantes quiseram expandir as habilidades, o que levou pessoas como Murilo Pozza a começarem uma nova etapa e a ensinar as técnicas necessárias para um melhor domínio da prática.
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Murilo Pozza tem seu próprio CT de futevôleiFoto: ALAN PEDRO/ND
“Vai fazer cinco anos que comecei o projeto. Na época, foi uma ideia minha e de um amigo, o Guilherme Dias. Pensamos que seria uma boa ideia levar o futevôlei para uma área mais profissional. Eu já jogava, faz nove anos que pratico, e pensei: ‘vou começar a ensinar as pessoas também’. Foi assim que eu comecei, dando aula para uma, duas, três, quatro pessoas. No começo, dava aula para no máximo seis. Conforme fui dando aula, o projeto foi crescendo”, disse.
Murilo Pozza é professor e tem o próprio CT, que leva seu sobrenome. Ele contou à reportagem do Jornal ND que a procura pelo esporte tem aumentado cada vez mais, principalmente em comparação a nove anos atrás, quando começou a praticar.
“O futevôlei começou principalmente com quem via isso na praia, jogando altinha, e com isso as arenas foram aumentando. Na época em que comecei, ainda não havia toda essa estrutura que existe hoje, eram mais as quadras públicas, como na Beira-Mar Norte e na Beira-Mar Continental. Conforme fomos jogando, a galera começou a gostar. Foi assim que comecei, até realmente ensinar as pessoas”, afirmou.
Futevôlei é destaque na capitalFoto: ALAN PEDRO/ND
Futevôlei e a relação com o futebol “freestyle”
Não é surpresa que o Brasil seja conhecido como o país do futebol. Essa paixão, que une adrenalina e emoção, foi uma das grandes responsáveis pela explosão do futevôlei na capital. No entanto, apesar de ter origem no esporte mais popular do mundo, há muitas diferenças entre as modalidades. Além de objetivos distintos, as técnicas utilizadas são mais distantes do que se imagina. O futevôlei se aproxima mais do futebol “freestyle”, considerado mais artístico do que qualquer outra coisa.
“Quando comecei a dar aula, muita gente veio do futebol. Muita gente tem esse pensamento: ‘vou jogar futevôlei porque é parecido’. Querendo ou não, é parecido, mas não é igual. Você percebe que há uma diferença muito grande, como a bola sempre ir para cima, a dificuldade da areia e da movimentação, o que já dificulta bastante a prática para a galera. Quem começa percebe que é uma área em que você precisa se desafiar mais. Erra algumas coisas e isso motiva a continuar. Além disso, vejo muita gente procurando para jogar altinha ou bater bola na praia, e isso com certeza também é responsável pelo crescimento ‘gritante’ do futevôlei”, contou Murilo.
Em casos mais comuns, o futevôlei é descoberto por quem já está acostumado a praticar esportes, principalmente por pessoas que jogavam futebol ou vôlei, devido às semelhanças. Esse não foi exatamente o caso de Mateus, que agora treina para viver da modalidade. Hoje, ele é aluno do CT e já ganhou uma “promoção” para auxiliar nas aulas. O atleta começou há sete meses e veio do basquete, modalidade distinta do futevôlei.
Mateus pratica o esporte faz sete meses e era atleta de basqueteFoto: ALAN PEDRO/ND
“Estou no futevôlei há sete meses, comecei bem recente, mas tenho um retrospecto grande no esporte. Jogo basquete há oito anos, só que agora parei e migrei para essa área. É um sonho seguir essa carreira de atleta, ser professor e ministrar aulas. Sou auxiliar, então já estou no caminho em que quero estar. Comecei praticando altinha e já joguei futebol de campo, mas foi o futevôlei que me conquistou, por ter essa disciplina de atleta. Para mim, é um estilo de vida”, contou.
Modalidade tem “ganhado o coração” do público jovem
Além de ser um esporte muito procurado na capital, o público jovem vem dominando a prática do futevôlei, que tem se destacado tanto entre homens quanto entre mulheres. Murilo comentou que adultos, crianças e adolescentes têm demonstrado interesse na modalidade. Um exemplo é o jovem atleta Arthur, de apenas 14 anos, que já dedica o tempo livre para aprimorar as técnicas:
Arthur tem apenas 14 anos mas sonha alto com o futevôleiFoto: ALAN PEDRO/ND
“Gosto muito de estar aqui e poder treinar todo dia, me esforçar e me dedicar. Meu objetivo é me tornar um jogador profissional e, quando conseguir, quero abrir um CT também. Normalmente treino com um pessoal mais velho, de 17 e 18 anos, vivendo o mesmo sonho”, disse.
O futevôlei deixou de ser apenas uma prática de lazer nas praias para se consolidar como uma modalidade em expansão, capaz de abrir portas e transformar histórias em trajetórias profissionais. Dos movimentos mais simples às jogadas mais plásticas, o esporte cresce em visibilidade, estrutura e reconhecimento. Não é exagero imaginar que, no futuro, a modalidade possa alcançar patamares ainda maiores, quem sabe até o reconhecimento olímpico.

