5 Gerações da familia Schlemper, reunida em uma foto. Avós, filha, neta, bisneto e tataranetoFoto: Arquivo Familia Schlemper/ ND Mais
Enquanto muitos avós comemoram o Dia dos Avós ao lado dos netos, Ênio Schlemper celebra a data cercado por cinco gerações da família. A poucos dias de completar 105 anos, o centenário acompanha a vida de filhos, netos, bisnetos e tataranetos. Conhecido como o torcedor mais antigo do Figueirense, ele transformou a paixão pelo clube em uma tradição familiar, mas diz que seu maior legado vai muito além do futebol.
Ênio nasceu em 1921, o mesmo ano de fundação do clube do coração. A coincidência fez com que sua história se confundisse com a do time ao longo das décadas. Nas arquibancadas, ganhou o carinho da torcida. Em casa, virou o vovô alvinegro, aquele que transformou a paixão pelo Figueirense em uma tradição de família.
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Mas o futebol sempre foi apenas um detalhe dessa história.
Seu Ênio rodeado por netos, bisnetos e o tataranetoFoto: Arquivo da Familia Schlemper/ ND Mais
Foi por causa dele que filhos, netos e bisnetos passaram a dividir tardes de domingo, viagens e jogos no estádio. As lembranças ficaram. O que permaneceu, no entanto, foram os valores que Seu Ênio fez questão de transmitir.
“Quero que eles respeitem sempre o próximo e sejam pessoas de bem”, diz, ao responder qual é o maior legado que espera deixar para a família.
O futebol aproximou ainda mais a família
Ênio conta que percebeu a tradição seguir em frente em 2006, quando começou a ir aos jogos do Figueirense ao lado do neto Lucas e do bisneto Leonardo. A partir dali, acompanhar o time virou um programa de família.
A tradição de assistir aos jogos e o amor pelo clube sendo passados por gerações Foto: Arquivo Familia Schlemper/ ND Mais
“As vitórias que comemoramos juntos são as lembranças mais especiais”, conta.
Hoje, ele vê a história continuar. “Os bisnetos já amam o time e o tataraneto também”.
Mais do que formar novos torcedores, ele diz sentir alegria por ver a família reunida. “A maior alegria da minha vida é ver eles acompanhando os jogos comigo, porque eu sempre fui Figueirense”.
O avô que todos descrevem da mesma forma
Embora seja conhecido em Florianópolis pela ligação com o Figueirense, dentro de casa, Ênio é lembrado por outras características.
As respostas dos quatro netos têm algo em comum.
Seu Ênio na corrida de rua, acompanhado pelos bisnetosFoto: Arquivo Familia Schlemper/ ND Mais
Marina Schlemper Pacheco Correa, de 43 anos, diz que ele sempre foi um avô presente e carinhoso. “Ele é o meu xodó da vida. Não tem quem não se apaixone por ele”.
Lucas Schlemper Pacheco, de 36 anos, resume o avô em uma palavra: paz.
“Nunca vi ele reclamar de algo. Com ele aprendi que tudo tem um lado bom”.
Para Rafaella Schlemper Pacheco da Silva, de 47 anos, Seu Ênio é um “anjo”, alguém que sempre ensinou a acreditar que tudo é possível e a agradecer pela vida.
Vanessa Schlemper Boing Mari, de 45 anos, destaca a força e a dedicação do avô à família. “Minha vida inteira vi ele fazendo tudo com amor”.
Mesmo com histórias diferentes, as lembranças são parecidas. Os churrascos preparados pelo avô, as férias na Guarda do Embaú, os abraços, as brincadeiras e a forma tranquila de lidar com a vida aparecem em praticamente todos os relatos.
Vanessa também lembra que o avô trabalhou até os 92 anos, começou a fazer musculação depois dos 100, continua acompanhando as novas tecnologias e mantém a mesma disposição para aproveitar a vida.
O maior orgulho é ver a família crescer
Ao olhar para os filhos, netos, bisnetos e tataranetos, Seu Ênio diz que sente orgulho por ver cada um construindo o próprio caminho.
“O amor deles pelo nosso time e ver eles seguindo a vida deles, tendo suas famílias e suas profissões, me enche de alegria”.
Parte da familia Schlemper reunidaFoto: Arquivo Familia Schlemper/ ND Mais
A paixão pelo Figueirense continua atravessando gerações. Os filhos seguiram o exemplo do pai, os netos cresceram acompanhando os jogos e os bisnetos e tataranetos já nasceram vestindo a camisa alvinegra.
Mas, dentro da família Schlemper, todos concordam que essa nunca foi a principal herança deixada pelo patriarca.
Aos quase 105 anos, Seu Ênio diz que o maior orgulho é outro: ver filhos, netos, bisnetos e tataranetos construindo suas próprias histórias.

