Foto: Reprodução/Léo Dias/ND Mais” width=”1200″ height=”700″ >Presidente da CBF, Samir Xaud é flagrado com suposta amante em Nova IorqueFoto: Reprodução/Léo Dias/ND Mais
Hoje vou pedir licença aos leitores para sair momentaneamente da política partidária. Mas apenas aparentemente. Porque falar da CBF é, no fundo, falar de poder, de bastidores, de disputas internas, de falta de transparência e de uma cultura institucional que atravessa décadas. Em outras palavras: é falar de política – só que vestida de camisa amarela.
Em plena Copa do Mundo, o presidente da CBF, Samir Xaud, virou personagem de mais uma crise extracampo. Reportagem do Portal Leo Dias apontou uma suposta relação extraconjugal envolvendo o dirigente e uma empresária, além de questionamentos sobre despesas de hospedagem que teriam sido pagas pela própria Confederação Brasileira de Futebol. O presidente deixou temporariamente o ambiente da seleção. A CBF divulgou nota. As explicações vieram. O constrangimento ficou.
Não cabe aqui discutir a vida privada de Samir Xaud. O interesse público surge quando aparecem questionamentos sobre eventual utilização de recursos da CBF, entidade que movimenta R$ 1 bilhão e representa institucionalmente o futebol brasileiro.
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Há décadas, a entidade mais poderosa do futebol brasileiro consegue a proeza de transformar praticamente todos os seus presidentes em personagens de alguma crise. Ricardo Teixeira saiu cercado por denúncias. José Maria Marin foi preso. Marco Polo Del Nero foi banido do futebol. Rogério Caboclo caiu após acusações de assédio. Ednaldo Rodrigues passou mais tempo enfrentando disputas judiciais do que discutindo futebol. Agora é a vez de Samir Xaud ocupar as manchetes.
Alguém realmente imaginava que seria diferente? A CBF se acostumou a funcionar como uma espécie de república autônoma da cartolagem brasileira. Uma estrutura bilionária, com baixíssimo nível de fiscalização pública, enorme concentração de poder e uma impressionante capacidade de sobreviver a escândalos sem promover mudanças profundas.
A CBF continua frequentemente associada a disputas internas, privilégios, denúncias e crises de imagem. O futebol aparece quase como detalhe. O mais grave não é a polêmica atual. O mais grave é a previsibilidade dela.
Talvez o maior fracasso da CBF não seja produzir escândalos sucessivos. Talvez seja ter conseguido algo ainda pior: fazer com que eles deixem de causar surpresa. No futebol brasileiro, os técnicos mudam, os jogadores mudam, as gerações mudam. A cartolagem, não.

