Alan Aal novo técnico do AvaíFoto: Leandro Boeira/AFC/ND
A chegada de Alan Aal ao Avaí parece seguir uma lógica construída a partir daquilo que o clube acredita como modelo de jogo. Analisando e pesquisando o trabalho mais recente do treinador, tanto na Série B do Campeonato Brasileiro desta temporada pelo Londrina quanto em partidas do Campeonato Paranaense, competição na qual levou a equipe à decisão, é possível perceber uma plataforma bastante semelhante àquela utilizada por Cauan de Almeida.
A estrutura-base é, na maior parte do tempo, o 4-2-3-1. Um sistema com dois extremos abertos pelos lados, um meia de criação atuando por dentro e um centroavante de mobilidade, capaz de atacar espaços e participar da construção das jogadas.
Também chama atenção a forte participação dos laterais, que recebem liberdade para apoiar, além da valorização de meias com boa capacidade técnica e qualidade no passe. Sem a bola, a equipe costuma se organizar em duas linhas de quatro, diminuindo espaços e buscando acelerar as transições quando recupera a posse.
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Alan Aal também leva para o banco características construídas ao longo da carreira como jogador. Atuou, inclusive, ao lado de Marquinhos Santos, ídolo Avaiano, no Coritiba, experiência que ajudou a moldar um treinador conhecido pelo diálogo constante com o elenco.
Pelo que colhemos de informação, Aal é um profissional que procura envolver os atletas nas discussões sobre o funcionamento da equipe, ajustando comportamentos de acordo com as necessidades de cada partida.
É verdade que sua passagem recente pelo Londrina terminou de forma precoce. Depois de um Campeonato Paranaense muito competitivo, que culminou com o vice-campeonato estadual, iniciou a Série B vencendo o Novorizontino fora de casa, resultado de peso diante de uma equipe que hoje disputa as primeiras posições. Entretanto, uma sequência negativa fez com que o trabalho fosse interrompido antes que houvesse tempo para uma recuperação.
Na minha avaliação, a escolha do Avaí foi acertada por dois fatores. O primeiro é o próprio mercado de treinadores. Os profissionais mais consolidados estão empregados e, entre os nomes disponíveis, Alan Aal aparece como uma opção interessante, respaldada por 11 anos de experiência como treinador profissional.
O segundo motivo pesa ainda mais. Em 2022, no Vila Nova, viveu um cenário muito parecido com o atual do Avaí. Assumiu uma equipe afundada na zona de rebaixamento da Série B, reorganizou o time, elevou o desempenho para um aproveitamento superior a 55% e não apenas garantiu a permanência, como ainda colocou o clube na disputa por uma vaga de acesso nas rodadas finais.
A simples troca de treinador por si só não vai salvar o Avaí
Jogadores do Avaí aplaudiram o trocedor, mas o torcedor quer apluadiu também de volta, diante de uma atuação de gala do Leão contra a Chape no jogo 1 da Final da Copa Sul Sudeste. Esta cena, precisa se repetirFoto: Fabiano Rateke/AFC/ND
Mas é importante deixar uma ressalva. A simples troca de treinador não será suficiente para transformar o Avaí em uma equipe mais competitiva. O clube precisa reforçar o elenco. São necessárias contratações que aumentem a qualidade e ofereçam alternativas ao longo da temporada.
Hoje, o grupo é curto e carece de opções em setores importantes. Com esse elenco, Alan Aal terá dificuldades, assim como teria qualquer outro treinador. A mudança no comando técnico pode representar um novo começo, mas ela precisa vir acompanhada de investimento e fortalecimento do grupo para que os resultados apareçam de forma consistente.

