Fim da escala 6×1 é uma das medidas criticadas por setores do comércio Foto: Imagem gerada pela Whisk IA/ND Mais
Medidas econômicas e trabalhistas discutidas ou apoiadas pelo governo Lula têm provocado debates entre representantes do comércio, empresários e entidades do varejo desde o início do atual mandato.
Entre os principais pontos de discussão estão a chamada “taxa das blusinhas” e o debate sobre o fim da escala 6×1. Enquanto empresários apontam possíveis impactos sobre empregos e custos operacionais, integrantes do governo e defensores das medidas afirmam que as propostas buscam garantir equilíbrio econômico, concorrência justa e melhores condições de trabalho.
Veja os temas que geraram reações no comércio:
Taxa das blusinhas
A tributação sobre compras internacionais de pequeno valor, apelidada de “taxa das blusinhas”, foi uma das medidas que mais gerou repercussão no varejo brasileiro.
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Entidades ligadas à indústria têxtil e ao comércio defendem que a cobrança serve para equilibrar a concorrência entre varejistas nacionais e plataformas internacionais. Por outro lado, críticos da medida afirmam que a taxação pode reduzir o consumo, afetar pequenos empreendedores digitais e encarecer produtos para consumidores.
Na última terça-feira, o presidente Lula assinou uma Medida Provisória que zera “taxa das blusinhas”. Para compras acima de US$ 50, segue mantida a tributação de 60%.
Lula assinou uma Medida Provisória que zera a “taxa das blusinhas”Foto: Divulgação/Adobe Stock/ND
A CNI (Confederação Nacional da Indústria) afirmou que a medida cria uma vantagem para fabricantes estrangeiros. Em nota, a entidade declarou que a decisão representa “uma vantagem concedida a indústrias estrangeiras em detrimento do setor produtivo nacional”. Para a CNI, o impacto será maior sobre micro e pequenas empresas e poderá provocar perda de empregos.
A Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção classificou a revogação como “extremamente equivocada”, e a Abvtex (Associação Brasileira do Varejo Têxtil) disse “repudiar com veemência” o fim da tributação.
Já a Amobitec (Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia), que reúne empresas como Amazon, Alibaba, Shein e 99, comemorou o fim da taxa. A associação disse que a tributação era “extremamente regressiva” e reduzia o poder de compra das classes C, D e E.
Debate sobre o fim da escala 6×1
Além da taxa das blusinhas, outro tema que ganhou força nos últimos meses foi a discussão sobre o fim da escala 6×1, modelo em que trabalhadores atuam seis dias seguidos para uma folga.
Discussão sobre o fim da escala 6×1 é criticada por entidades empresariais Foto: Istock/ND
Entidades empresariais e representantes do varejo afirmam que uma eventual redução da jornada sem compensação poderia elevar custos trabalhistas e dificultar contratações, especialmente em setores que dependem de funcionamento contínuo, como supermercados, shoppings e lojas de rua.
Já defensores da proposta argumentam que jornadas menos desgastantes podem melhorar qualidade de vida, produtividade e saúde mental dos trabalhadores.
Reforma tributária e impacto no varejo
A reforma tributária aprovada pelo Congresso também gerou preocupação em parte do setor de comércio e serviços.
Representantes empresariais afirmam que mudanças no modelo de tributação podem aumentar custos para determinados segmentos do varejo e do setor de serviços, dependendo da regulamentação final.
Integrantes do governo, por outro lado, defendem que a reforma simplifica impostos, reduz distorções e melhora o ambiente de negócios no longo prazo.
Regulamentação do trabalho por aplicativo
A proposta de regulamentação do trabalho por aplicativo é motivo de discussões entre empresas e representantes do setor produtivo. Empresários ligados ao comércio eletrônico e à logística afirmam que mudanças nas regras podem aumentar custos operacionais e afetar serviços de entrega.
Motorista de aplicativo já fazem sua carga horária de trabalhoFoto: Freepik/Reprodução/ND Mais
Já o governo e defensores da proposta argumentam que a regulamentação busca ampliar proteção social, previdência e segurança para trabalhadores de plataformas digitais.
Especialistas avaliam que parte das medidas discutidas pelo governo gera reações porque mexe diretamente na relação entre crescimento econômico, proteção trabalhista e competitividade empresarial.
Enquanto entidades do comércio alertam para possíveis impactos sobre emprego e custos, integrantes do governo defendem que muitas das propostas têm como objetivo aumentar arrecadação, reduzir desigualdades e melhorar condições de trabalho no país.

