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De aprendiz sem salário a dono de relojoaria: empresário mantém tradição há 25 anos em SC

Ultima atualização: 21 de março de 2026 08:00
Por Daiane Carolina
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De aprendiz sem salário a dono de relojoaria: empresário mantém tradição há 25 anos em SC
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De aprendiz sem salário a dono de relojoaria: empresário mantém tradição há 25 anos em SCDe aprendiz sem salário a dono de relojoaria: empresário mantém tradição há 25 anos em SCFoto: Siana da Silva/ND Mais

A história do empresário e relojoeiro Oraci Pedro da Silva, de 56 anos, é marcada por decisões arriscadas, trabalho intenso e uma profissão que resiste ao tempo.

De aprendiz sem salário na adolescência a dono de uma relojoaria consolidada há 25 anos em São Miguel do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, ele construiu a carreira com base na prática, no esforço diário e no apoio da família.

Começo sem salário e aprendizado na prática

O primeiro passo na profissão veio em meados de 1985, quando ainda era adolescente. Incentivado pelo pai Antônio Pereira da Silva Neto, Oraci começou a trabalhar em uma relojoaria em São Miguel do Oeste, onde atuava como ajudante geral.

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Sem remuneração nos primeiros meses, ele via no trabalho uma oportunidade de aprender. “Eu fazia de tudo. Limpava a loja, ajudava em tudo, até lavava carro. Naquela época, a gente fazia de tudo para aprender”, relembrou.

O período, apesar das dificuldades, foi determinante. “Foi ali que eu comecei. Eu jamais vou esquecer quem me deu essa oportunidade. Tenho muita gratidão ao seu Lotário, em São Miguel do Oeste, e ao seu Valentim Lunelli, em Palmitos, por terem acreditado em mim, fez toda a diferença na minha vida”, afirmou.

Em 2001, ele decidiu abrir o próprio negócio: a Relojoaria São MiguelEm 2001, ele decidiu abrir o próprio negócio: a Relojoaria São MiguelFoto: Siana da Silva/ND Mais

Mudança cedo e desafios longe da família

Aos 17 anos, Oraci se mudou para Palmitos em busca de uma nova oportunidade profissional. Foi lá que passou a trabalhar em outra relojoaria e começou a consolidar o conhecimento técnico na área.

Na mesma época, iniciou a vida familiar ao lado da esposa, Rosimari Locatelli da Silva, e enfrentou desafios típicos de quem começa do zero: aluguel, poucas condições financeiras e a chegada da primeira filha.

“Eu não tinha nada. Fui pagar aluguel, minha esposa grávida, tudo muito simples. A gente morava onde dava, sempre buscando o mais barato para conseguir crescer”, conta.

Mesmo diante das dificuldades, o período foi fundamental para sua formação profissional e pessoal. Ao todo, foram cerca de 13 anos de trabalho na cidade.

A filha, Siana, cresceu junto com a história da relojoariaA filha, Siana, cresceu junto com a história da relojoariaFoto: Oraci Pedro da Silva/ND Mais

Relojoaria própria foi o passo mais arriscado da carreira

Após a morte do pai, vítima de câncer, Oraci decidiu voltar para São Miguel do Oeste para ficar mais próximo da mãe e dos irmãos. A mudança marcou o início de um novo capítulo, e também de um grande desafio.

Em 2001, ele decidiu abrir o próprio negócio: a Relojoaria São Miguel. Para isso, tomou uma decisão arriscada, vendeu a casa e o carro para investir na loja.

“Foi um risco muito grande. Eu vendi tudo para começar. Cheguei a pagar dois aluguéis, da casa e da loja. Se não desse certo, eu perdia tudo”, lembrou.

No início, a rotina era intensa. “Não tinha horário. A gente trabalhava sábado, domingo, fazia comida dentro da loja. Era muito esforço.”

Com o passar dos anos, o trabalho deu resultado. O negócio cresceu, se estabilizou e permanece até hoje no mesmo endereço, na rua Marcílio Dias.

De aprendiz sem salário a dono de relojoaria empresário mantém tradição há 25 anos em SCFoto: Siana da Silva/ND MaisDe aprendiz sem salário a dono de relojoaria empresário mantém tradição há 25 anos em SCFoto: Siana da Silva/ND Mais

Negócio familiar e evolução com o tempo

A filha, Siana, que nasceu durante o período em Palmitos, cresceu junto com a história da empresa. Desde jovem, passou a ajudar no negócio e se tornou peça fundamental na operação.

“Ela sempre foi meu braço direito”, destacou Oraci.

Em 2011, após a formação da filha em Óptica, a empresa ampliou as atividades e passou a atuar também no segmento óptico, tornando-se Relojoaria e Ótica São Miguel.

Tradição que resiste à tecnologia

Mesmo com a popularização dos celulares e outras tecnologias, Oraci afirmou que o relógio ainda mantém seu espaço, especialmente pelo valor emocional.

“Muitas pessoas têm relógios que ganharam de familiares, que têm valor sentimental. Isso não tem preço. São peças que passam de geração em geração”, explicou.

Além disso, ele observou uma retomada no uso dos acessórios, inclusive entre os mais jovens, e destacou que o negócio se adaptou, incorporando também relógios digitais e smartwatches.

Em 2011, tornandou Relojoaria e Ótica São MiguelEm 2011, tornandou Relojoaria e Ótica São MiguelFoto: Oraci Pedro da Silva/ND Mais

Trabalho artesanal e variedade de serviços

Ao longo dos anos, o empresário e relojoeiro ampliou o leque de serviços, que vai desde consertos simples até reparos mais complexos em relógios e joias.

Entre os atendimentos estão troca de peças, polimento, limpeza, ajustes e soldas em correntes de ouro e prata, itens que, segundo ele, mantêm valor constante ao longo do tempo.

Profissão em risco de desaparecer

Apesar da trajetória consolidada, Oraci fez um alerta: a profissão de relojoeiro está cada vez mais rara.

“Poucos jovens querem aprender. Os profissionais mais antigos já estão envelhecendo, e muitos já nem estão mais na ativa”, afirmou.

Para ele, trata-se de um conhecimento técnico que exige paciência e dedicação, características que, segundo avalia, têm afastado novos interessados.

Futuro sem pressa e com foco na família

Sem planos de expansão ou abertura de filiais, o empresário prefere manter o negócio em escala familiar, priorizando qualidade de vida. “Hoje eu prefiro algo menor, mais tranquilo. Já passei por muita correria”, disse.

A expectativa é que a filha dê continuidade à empresa nos próximos anos, e, quem sabe, que a tradição siga para a próxima geração. “Se um neto quiser aprender, seria muito bom. Mas o importante é manter aquilo que a gente construiu com tanto esforço”, concluiu.

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