Como é jogar a Copa do Mundo: ex-atletas revelam segredos, medos e a pressão nos bastidoresFoto: Nelson Terme/ CBF
Neste sábado, 13 de junho, milhões de brasileiros devem repetir um ritual conhecido: organizar o dia para acompanhar a estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo.
Mas enquanto torcedores se preparam para assistir ao jogo, poucos sabem como é a experiência do outro lado, isto é, de quem acorda sabendo que entrará em campo no maior torneio do futebol mundial.
Entre concentração, cobranças, viagens e a consciência de que uma oportunidade pode nunca mais se repetir, ex-jogadores que disputaram Copas do Mundo revelaram detalhes dos bastidores da competição.
O primeiro passo: a convocação que muda tudo
Antes mesmo do apito inicial, a Copa começa com um dos momentos mais aguardados da carreira de qualquer jogador: a convocação.
Para os ex-atletas ouvidos pelo portal Estádio Total, receber a notícia de que estará entre os escolhidos representa a confirmação de anos de trabalho e sacrifícios.
Veja imagem de Ricardo Rocha, o zagueiro do tetraFoto: Reprodução/CBF
O ex-zagueiro Ricardo Rocha, campeão mundial em 1994, resume o sentimento como uma conquista rara dentro da profissão.
“A minha alegria foi imensa. Qualquer jogador gostaria de jogar na seleção do seu país. Eu tive a sorte de jogar duas copas, a de 90 e a de 94”, conta Ricardo Rocha.
Já o goleiro Carlos Germano, que jogou a Copa do Mundo de 1998 pelo Brasil, destaca que vestir a camisa da seleção em uma Copa representa a realização máxima para quem sonha com o futebol profissional.
“É o maior sonho de um jogador de futebol. A alegria é imensa. É a realização do sonho maior. Poder representar o seu país em uma Copa do Mundo é uma emoção indescritível”, cita
O italiano Luigi Apolloni, que disputou o Mundial de 1994 pela Itália, também descreveu a participação no torneio como o ápice de uma trajetória construída desde a infância.
Como é jogar a Copa do Mundo e o dia-a-dia
Apesar do ambiente cercado por expectativa e atenção mundial, os relatos apontam que o cotidiano dos atletas durante a competição se assemelha bastante ao trabalho realizado nos clubes.
Ex-jogadores de seleção revelam como é jogar a Copa do Mundo de verdadeFoto: Montagem feita com imagens das redes socias e da WIkipedia/ND Mais
Treinos, alimentação controlada, recuperação física, reuniões técnicas e períodos de descanso ocupam a maior parte dos dias.
Segundo os ex-jogadores, a principal diferença está na intensidade da exposição e na dimensão das cobranças.
Carlos Germano explicou que a programação segue horários rigorosos, enquanto Apolloni destacou a presença constante de equipes médicas e profissionais especializados acompanhando os atletas.
Para o ex-jogador da Seleção Brasiileira, Silas, que disputou as Copas de 1986 e 1990, a rotina no torneio inclui análises dos adversários e momentos reservados para descanso entre as atividades.
Entre pressão e convivência: a vida dentro da concentração
Campeão mundial em 2002, o ex-atacante Edilson Capetinha, contou sobre a importância da estrutura oferecida pelas seleções durante a competição.
Edilson Capetinha costuma valorizar presença no penta do BrasilFoto: Lucas Figueiredo/CBF/Divulgação/ND Mais
“O dia a dia é maravilhoso. A gente se alimenta bem, tem acompanhamento diário, preparação física, fisiologia, psicológico. Ali dentro, você está junto com os jogadores e forma uma família. O ambiente é muito legal e temos todas as condições para entregar o melhor possível no campo”, comenta Edilson.
Segundo ele, os jogadores convivem diariamente com profissionais de diferentes áreas e acabam formando um ambiente semelhante ao de uma família temporária.
Mesmo em regime de concentração, os atletas continuam acompanhando notícias, comentários e repercussões sobre seus desempenhos. Silas revelou que há espaço para leitura, conversas e contato com informações externas durante o torneio.
Dá para aproveitar o país-sede?
Embora a imagem da Copa esteja associada à concentração permanente, os relatos mostram que existem momentos de folga ao longo da competição.
Nessas ocasiões, muitos jogadores aproveitam para encontrar familiares, conhecer pontos turísticos próximos, descansar fora do ambiente dos treinamentos e reduzir a pressão acumulada durante o torneio.
O que torna a Copa diferente de qualquer outro torneio
Se há um ponto em que todos os entrevistados concordam, é a raridade da oportunidade.
Diferentemente das competições disputadas anualmente, a Copa do Mundo acontece apenas a cada quatro anos. Isso significa que muitos jogadores têm apenas uma chance de participar do torneio durante toda a carreira.
Para Carlos Germano, essa característica transforma cada partida em um momento decisivo.
“A Copa do Mundo é a realização do sonho maior. É um campeonato muito curto. Na de 1998, que eu joguei, foram 7 jogos, incluindo a final. Então, não tem espaço para erro. Tem que estar focado e muito bem preparado, no ápice da forma física e da técnica, com concentração total”, afirmou Germano.
Entre glórias e decepções
Assim como proporciona momentos inesquecíveis, a Copa também pode gerar lembranças dolorosas.
O italiano Luigi Apolloni recordou a emoção de estrear em uma final de Copa após uma lesão de um companheiro de equipe.
“A melhor lembrança foi a minha estreia. Ela aconteceu de forma inesperada, por conta da lesão do Baresi. O treinador confiou em mim e me escolheu para jogar. Fiquei extremamente feliz”, lembra Apolloni, complementando:
Ao mesmo tempo, classificou como sua recordação mais amarga o momento em que viu o Brasil conquistar o título de 1994.
“Já a lembrança mais difícil foi ver o Brasil levantar a taça. Chegar à final e depois ver o título escapar foi, sem dúvida, o momento mais amargo”, completou o defensor italiano.
O legado que permanece para sempre
Independentemente do resultado final, os ex-jogadores concordam que disputar uma Copa do Mundo altera definitivamente a trajetória profissional e pessoal de qualquer atleta.
Ricardo Rocha lembrou que os campeões mundiais carregam reconhecimento permanente ao longo da vida.
Já Edilson Capetinha resumiu o sentimento ao afirmar que a conquista valida todos os esforços realizados desde o início da carreira.
Para quem acompanha pela televisão, a Copa costuma durar apenas noventa minutos por partida, no entanto, para quem está dentro dela, porém, representa anos de preparação, semanas de pressão constante e a responsabilidade de defender um país inteiro em um dos palcos mais exigentes do esporte.

